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Preços da soja pressionados no mercado doméstico

13/10/2026 - 09h54m

Preços da soja pressionados no mercado doméstico

 

 

 

Preços da soja pressionados no mercado doméstico

Os preços da soja estão pressionados no mercado brasileiro, pressionados pela valorização do Real frente ao dólar. Esse movimento tende a reduzir a competitividade da soja brasileira em relação à norte-americana. Além disso, no último trimestre do ano, é comum que compradores internacionais direcionem uma parcela maior da demanda aos Estados Unidos, diante do avanço da colheita e do consequente aumento da disponibilidade do grão naquele país. As quedas no Brasil, contudo, são limitadas pelo elevado volume de soja e derivados exportado de janeiro a setembro. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o País embarcou 7,36 milhões de toneladas de soja em grão em setembro. Embora esse volume seja 25% inferior ao de agosto, recuo comum para o período, trata-se de um recorde para o mês de setembro. De janeiro a setembro de 2026, os embarques somaram 100,15 milhões de toneladas, volume também recorde para o período, 6,7% superior ao registrado de janeiro a setembro de 2025 e equivalente a 86% do total estimado pela Conab para a safra 2025/26 (116,2 milhões de toneladas).

As exportações de farelo de soja totalizaram 2,45 milhões de toneladas em setembro, também um recorde para o mês, com aumentos de 10% frente a agosto e de 18,5% em relação a setembro de 2025, de acordo com dados da Secex. De janeiro a setembro de 2026, os embarques somaram 19,66 milhões de toneladas, 12,86% acima do volume registrado de janeiro a setembro de 2025 e um recorde para o período. Essa quantidade já corresponde a 91,9% do total que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima para as exportações brasileiras de farelo em 2026 (21,4 milhões de toneladas). No caso do óleo de soja, os embarques somaram 195,44 mil toneladas em setembro, alta de 8,15% frente a agosto e volume mais de três vezes superior ao de setembro de 2025. De janeiro a setembro de 2026, as exportações totalizaram 1,68 milhão de toneladas, 52% acima das registradas de janeiro a setembro de 2025. Esse volume também corresponde a 93,7% do total que a Conab estima para as exportações de óleo de soja ao longo de 2026.

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 3,7%, cotado a R$ 154,91 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 4% nos últimos sete dias, a R$ 148,14 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços da soja registram recuo de 2,6% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 3,2% no mercado de lotes (negociação entre empresas). No mesmo período, o preço do farelo de soja tem baixa de 2,6%. Em sentido contrário, o óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%) registra alta de 1% nos últimos sete dias, com média de R$ 7.057,38 por tonelada. O avanço está associado à maior disparidade entre os valores ofertados por compradores e vendedores, embora a liquidez tenha permanecido baixa.

No mercado internacional, os preços do complexo soja são impulsionados pela maior demanda pelas commodities norte-americanas, sobretudo de farelo de soja, e pela desvalorização do dólar. Na Bolsa de Chicago, o contrato Novembro/2026 da soja apresenta avanço de 0,3% nos últimos sete dias, a US$ 12,87 por bushel. Para o farelo, o vencimento outubro de 2026 registra alta de 2,4% no mesmo período, a US$ 397,60 por tonelada. O contrato Outubro/26 do óleo de soja acumula avanço de 1% nos últimos sete dias, a US$ 1.490,75 por tonelada. No Brasil, os produtores seguem atentos às condições climáticas. Apesar de as chuvas generalizadas terem favorecido a intensificação da semeadura da safra 2026/27, a previsão de fortes ondas de calor, sobretudo na Região Centro-Oeste, tem gerado preocupação entre agentes. Segundo a Conab, a semeadura havia alcançado 9,4% da área prevista no País até 2 de outubro de 2026, acima dos 8,2% registrados até 2 de outubro de 2025 e dos 8,8% na média dos últimos cinco anos.

Em Mato Grosso, os trabalhos atingiram 14,4% da área até 2 de outubro de 2026, abaixo dos 15,6% registrados em igual período de 2025. Em Mato Grosso do Sul, chegaram a 15%, acima dos 5% registrados até 2 de outubro de 2025. No Paraná, a semeadura alcançou 28%, ante 26% em igual período de 2025. Em Goiás, atingiu 2%, frente a 1% até 2 de outubro de 2025. Na Bahia, os trabalhos chegaram a 5% até 2 de outubro de 2026, enquanto nem haviam começado no mesmo período de 2025. Nos Estados Unidos, de acordo com o relatório de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), da área correspondente a 34,755 milhões de hectares cultivados com soja na safra 2026/27, 25% haviam sido colhidas até 4 de outubro de 2026, abaixo dos 33% da média dos últimos cinco anos para o mesmo período. Vale destacar que, segundo o relatório de oferta e demanda do USDA, a produção de soja nos Estados Unidos deve aumentar 0,6% frente ao projetado em setembro, a 124,15 milhões de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.

 

 

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