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A semana inicia com forte alta nos preços do açúcar , com oferta restrita no Brasil e no mundo. Víés segue de alta.

06/10/2026 - 10h13m

A semana inicia com forte alta nos preços do açúcar , com oferta restrita no Brasil e no mundo. Víés segue de alta. Charbel Felipe  

Açúcar: preços em alta com as restrições na oferta

Em São Paulo, as chuvas continuaram atrasando a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul e, consequentemente, limitando a produção de açúcar. Com a oferta restrita, os preços do cristal seguem em alta no mercado spot, com avanço um pouco mais forte que o da semana anterior. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de SP) registra média de R$ 121,73 por saca de 50 Kg, alta de 1 % nos últimos sete dias (R$ 120,55 por saca de 50 Kg). Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados no dia 1º de outubro, confirmam o forte impacto das chuvas.

Na primeira quinzena de setembro, o Centro-Sul produziu 2,12 milhões de toneladas de açúcar, queda de 41,6% frente ao mesmo período de 2025, e a moagem recuou 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas. Com isso, pela primeira vez nesta safra, a moagem acumulada ficou abaixo da do ciclo anterior (-1,5%), assim como a produção de açúcar, que somou 26,07 milhões de toneladas, 14,4% a menos que no mesmo período do ciclo anterior. O cenário não deve melhorar no curto prazo, tendo em vista que chuvas neste início de outubro podem voltar a paralisar a colheita.

A Datagro estima que cerca de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar devem ficar para a próxima safra, volume recorde, e que a moagem pode se estender até o fim de fevereiro ou início de março. Além disso, mesmo com o açúcar pagando mais que o etanol, a cana colhida com excesso de umidade rende menos açúcar e favorece a produção do biocombustível, o que tem levado as usinas a reduzir o mix açucareiro. Nesse quadro, a oferta de açúcar no mercado interno deve seguir restrita nas próximas semanas. No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York estão em forte alta, refletindo o aumento das preocupações quanto à oferta mundial na temporada 2026/27.

O movimento de valorização ganhou intensidade nos últimos pregões, diante das perspectivas de menor disponibilidade do açúcar em importantes regiões produtoras. Além do Brasil, as perspectivas de menor produção na Índia e na Tailândia reforçam as preocupações quanto à oferta global. Na Índia, as condições climáticas desfavoráveis têm elevado as incertezas sobre o desempenho da próxima safra. O mesmo se aplica à Tailândia, onde as projeções também apontam para uma redução na produção de açúcar em 2026/27. Na União Europeia, a diminuição da área cultivada com beterraba sacarina, somada às adversidades climáticas registradas durante o desenvolvimento das lavouras, deve limitar a produção no próximo ciclo.

Esse conjunto de fatores intensificou a percepção de um balanço mundial de açúcar mais apertado ainda no ciclo 2026/27, ampliando a sustentação das cotações internacionais. A preocupação com a oferta também foi evidenciada pela FAO, cujo índice de preços do açúcar avançou 6,1% em setembro frente a agosto, atingindo o maior nível desde abril de 2025. O contrato Março/27 está cotado a 20.79 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 12,3% nos últimos sete dias (18,50 centavos de dólar por libra-peso). Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 14,32 por saca de 5 Kg. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócioe Charbel Felipe 

 

 

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