28/09/2026 - 09h26m
Preços da soja seguem firmes no mercado interno
Preços da soja seguem firmes no mercado interno
Os preços da soja se mantêm firmes no Brasil, influenciados pela menor oferta, visto que produtores estão resistentes a negociar grandes volumes tanto para entrega imediata (remanescente da safra 2025/26) quanto para contratos a termo da temporada 2026/27. Além disso, preocupações quanto ao clima e aos possíveis impactos do El Niño no desenvolvimento da nova safra e a valorização do dólar frente ao Real também sustentam os valores. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,1%, cotado a R$ 161,84 por saca de 60 Kg. Apesar da leve baixa, a média parcial de setembro é de R$ 161,16 por saca de 60 Kg, a maior desde agosto de 2023, em termos reais. Frente a agosto, houve alta de 7,3%, enquanto, na comparação com setembro de 2025, o Indicador ficou 14,64% acima, também em termos reais. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,1% nos últimos sete dias, a R$ 155,11 por saca de 60 Kg.
Vale reforçar que, na terça-feira (22/09), o Indicador havia atingido R$ 155,50 por saca de 60 Kg, o mais elevado, em termos nominais, desde 17 de março de 2023. Na parcial de setembro, a média está em R$ 153,74 por saca de 60 Kg, alta de 7,8% frente à de agosto e a maior desde março de 2023, em termos reais (IGP-DI de agosto/26). Em relação ao mesmo período de 2025, o Indicador está 14,09% acima, também em termos reais. Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 0,3% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 0,8% no mercado de lotes (negociações entre empresas). No comparativo mensal, as altas são de 7,9% no mercado de balcão e de 8% no de lotes. No cenário internacional, especulações sobre acordos entre a China e os Estados Unidos elevaram as cotações da soja no início da semana passada, e a valorização do farelo também contribuiu para dar suporte à oleaginosa. No entanto, o avanço da colheita nos Estados Unidos pressionou os futuros no balanço da semana passado.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até o dia 20 de setembro, 12% da área de soja havia sido colhida, acima dos 8% registrados no mesmo período do ano passado e da média dos cinco anos anteriores. Na Bolsa de Chicago, o contrato Novembro/26 da soja registra recuo de 0,2% nos últimos sete dias, para US$ 13,17 por bushel. Os preços dos derivados estão em alta no Brasil, sustentados pela menor disponibilidade de óleo e farelo de soja para negociação no mercado spot. No caso do farelo, a firme demanda externa limita a oferta aos compradores domésticos, enquanto a alta externa também dá suporte aos preços. Para o óleo, por outro lado, as cotações externas são pressionadas pela desvalorização do petróleo, o que reduz o incentivo à mistura de biodiesel ao diesel. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra alta de 1,8% nos últimos sete dias, cotado a R$ 7.057,38 por tonelada. Na comparação entre as médias de agosto e de setembro, o avanço é de 3,8%, para R$ 6.956,65 por tonelada, a maior média mensal do ano.
Para o farelo de soja, a elevação é de 3% nos últimos sete dias. Na parcial de setembro, os preços estão 9,6% acima da média de agosto. No mercado externo, o contrato de primeiro vencimento (out/26) do óleo de soja registra recuo de 2,5% nos últimos sete dias, para US$ 1.475,54 por tonelada. O contrato de mesmo vencimento do farelo tem avanço de 2% nos últimos sete dias, para US$ 414,58 por tonelada, o maior patamar desde 30 de novembro de 2023 para este vencimento. A valorização dos derivados, especialmente do farelo, elevou a crush margin em 42% nos últimos sete dias, para R$ 417,46 por tonelada, considerando-se os preços da soja em grão, do farelo e do óleo de soja no estado de São Paulo. O farelo de soja passou a representar 59,45% da receita do esmagamento, contra 40,55% do óleo. No mesmo período de 2025, as participações eram de 50% e 50%, respectivamente. Ainda assim, a margem está abaixo da registrada no ano passado, quando a soja apresentava menor custo e o óleo tinha maior participação na receita.
Segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgada em 22 de setembro, eram esperados baixos volumes de chuva nos sete dias seguintes em grande parte de Goiás e Mato Grosso, com acumulados de 10 a 30 mm, concentrados principalmente no sul desses Estados, com temperaturas elevadas e baixa umidade do solo. Em Mato Grosso, os produtores aguardam a regularização das chuvas para iniciar efetivamente a semeadura da soja. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 0,5% da área havia sido semeada até 18 de setembro, abaixo do 0,6% observado no mesmo período do ano passado. No Paraná, o bom volume de precipitações tem permitido o avanço da semeadura, sobretudo no oeste. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), até 21 de setembro, as atividades haviam alcançado 15% da área destinada à soja, acima dos 13% semeados no período equivalente de 2025. Na região de Toledo, 68% da área já havia sido semeada; na de Cascavel, 38%; na de Umuarama, 24%; na de Cianorte, 21%; na de Campo Mourão, 23%; e em Pato Branco, 17%. Produtores dos municípios de Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Laranjeiras do Sul, Londrina e Maringá também já haviam iniciado a semeadura. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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