Charbel Representações

Charbel News

Açucar

Preços do açúcar seguem em alta , oferta restrita é motivo principal .O fardo tem acompanhado Esalq .

09/09/2026 - 09h39m

Preços do açúcar seguem em alta , oferta restrita é motivo principal .O fardo tem acompanhado Esalq . Charbel Felipe  

Açúcar: preços avançam com restrições na oferta

Em São Paulo, os preços do açúcar cristal seguem em alta. O Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180) está cotado a R$ 117.34 por saca de 50 Kg, forte avanço de 8,11% nos últimos sete dias, que havia sido de R$ 108,53 por saca de 50 Kg. O aumento está atrelado à oferta restrita de açúcar. No mercado doméstico, dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçam o quadro de disponibilidade mais limitada. O Mapa indica que a produção de açúcar do Centro-Sul somou 3,31 milhões de toneladas na primeira quinzena de agosto, queda de 7,9% frente ao mesmo período do ano anterior, ainda que a moagem de cana tenha avançado 2% no mesmo comparativo, para 48,39 milhões de toneladas. A diferença foi absorvida pelo etanol, cuja fabricação subiu 6% no período, para 2,34 bilhões de litros. O mesmo padrão se observa no acumulado da safra 2026/27 (até 15 de agosto).

A moagem de cana-de-açúcar cresceu 2%, para 361,60 milhões de toneladas, enquanto a produção de açúcar recuou 11,7%, a 20,23 milhões de toneladas. Esse descompasso tende a sustentar a restrição da oferta no restante do ciclo. No cenário externo, os preços do açúcar demerara seguem fortalecidos, devido a projeções de déficit na produção mundial. Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro/26 atingiu nova máxima no dia 2 de setembro, a 18,70 centavos de dólar por libra-peso, o maior valor desde o início de abril/25. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê déficit de 200 mil toneladas na próxima temporada mundial, 2026/27, por conta dos possíveis impactos do fenômeno climático El Niño. Na Europa, as lavouras de beterraba sacarina foram prejudicadas por condições climáticas desfavoráveis.

O forte calor e o longo período de déficit hídrico durante a fase de enchimento das raízes limitam as perspectivas de produtividade. Além das condições climáticas adversas, a União Europeia deve registrar nova redução da área cultivada com beterraba. Para o ciclo 2026/27, a Comissão Europeia estima área de 1,22 milhão de hectares, contra 1,336 milhão de hectares na temporada anterior (2025/26). Diante desse cenário, a produtora francesa de açúcar Tereos prevê, para a próxima temporada (2026/27), redução superior a 20% na produtividade da beterraba de seus fornecedores em comparação com o período anterior. Na Índia, a irregularidade das chuvas durante a monção de 2026 aumenta os riscos para a produtividade da cana-de-açúcar, sobretudo em Maharashtra, um dos principais polos produtores do país.

Segundo informações publicadas pelo jornal local Loksatta, o acumulado de chuvas em Maharashtra entre junho e agosto de 2026 ficou 14,7% abaixo da média esperada. O país havia autorizado a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar até 31 de outubro de 2026, com o objetivo de atender ao aumento da demanda doméstica durante o período de festividades de fim de ano. No entanto, após contestação da Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (Isma), a necessidade de importações foi reavaliada. Segundo estimativas de consultorias, as compras externas podem ficar entre 300 mil e 500 mil toneladas, diante da avaliação de que não deve haver falta de açúcar no mercado interno no fim deste ano. No Brasil, na Região Centro-Sul, as chuvas devem interromper temporariamente a colheita de cana-de-açúcar, contribuindo para a sustentação dos preços do açúcar demerara na Bolsa de Nova York.

O contrato Outubro/26 do açúcar bruto está cotado a 18,07 centavos de dólar por libra-peso, alta de 2,90% nos últimos sete dias. Considerando-se as médias semanais, esse vencimento registrou, entre 31 de agosto e 4 de setembro, média de 18,20 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 3,12% em relação à da semana anterior (de 24 a 28 de agosto). Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 13,64 por saca de 5 Kg, elevação de 7,43% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,93 por saca de 1 Kg, alta de 7,64% no mesmo comparativo. O movimento dá sequência ao repasse apontado na semana anterior  Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio e Charbel Felipe