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Açúcar  inicia semana  em alta com oferta mundial comprometida pelo clima , mais aumento do petróleo .O fardo já esta parcialmente precificado , mas tem espaço para mais ajuste

31/08/2026 - 21h19m

Açúcar  inicia semana  em alta com oferta mundial comprometida pelo clima , mais aumento do petróleo .O fardo já esta parcialmente precificado , mas tem espaço para mais ajuste . Charbel Felipe 

Açúcar: balanço global apertado sustenta viés de alta

Os preços do açúcar na Bolsa de Nova York devem continuar encontrando resistência das fixações das usinas, apesar de um balanço global estruturalmente apertado. A XP Investimentos avalia que as vendas das unidades produtoras pressionaram as cotações no fim da semana passada e devem continuar limitando a alta, contrabalançando o viés construtivo determinado pelo balanço global mais ajustado. As perspectivas para a oferta reforçam, contudo, o viés de alta para o açúcar. As estimativas para a primeira quinzena de agosto indicam nova queda anual da produção do Centro-Sul do Brasil, enquanto a expectativa de uma safra menor na União Europeia e na Índia contribui para a percepção de maior aperto no mercado global.

No Brasil, o comportamento do mix de produção permanece como fator relevante para a formação das cotações. A XP Investimentos projeta crescimento da produção de etanol no Centro-Sul na primeira quinzena de agosto, impulsionado pela forte atividade industrial do etanol de milho. Em contrapartida, a melhora da remuneração do açúcar pode estimular as usinas a direcionar maior volume de cana para a produção da commodity nos próximos meses, limitando parte do aperto na oferta. No curto prazo, o mercado de etanol apresenta condições mais confortáveis. Os estoques do biocombustível continuam aumentando, enquanto a expectativa de maior produção na primeira quinzena de agosto exerce pressão sobre as cotações. Os preços do etanol entre R$ 2.300,00 e R$ 2.400,00 por metro cúbico, faixa considerada pouco atrativa pelas usinas, que vêm postergando as vendas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.

Açúcar: futuros em alta acompanhando o petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta segunda-feira (31/08) na Bolsa de Nova York, recuperando-se das perdas da sessão anterior. O vencimento outubro, referência atual e o mais líquido do mercado, avançou 25 pontos, ou 1,42%, e fechou a 17,81 centavos de dólar por libra-peso. A chegada de novas frentes frias com chuvas ao Centro-Sul do Brasil, o forte avanço das cotações do petróleo no exterior, a queda do dólar e a consolidação dos cortes nas estimativas para a safra europeia sustentaram as compras nas bolsas internacionais. O avanço da instabilidade sobre Paraná, São Paulo e sul de Minas Gerais pode paralisar temporariamente os trabalhos de moagem no campo.

No setor de energia, o petróleo WTI avançava 2,35%, alta de US$ 2,07, para US$ 88,10 por barril, fortalecendo a paridade teórica do biocombustível no mercado brasileiro. No Brasil, dados do Ministério da Agricultura (Mapa) apontam retração acumulada de 12,4% na fabricação de açúcar até julho, para 16,92 milhões de toneladas. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia prevê queda de 19% na produção do bloco, para 13,4 milhões de toneladas, em razão da seca na França. A Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar projeta recuo superior a 20% na produção francesa. O cenário de aperto estrutural é reforçado por estimativas de déficit global da Green Pool Commodity Specialists, de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, do Itaú BBA, de 1,4 milhão de toneladas, e da Czarnikow, de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.

Por outro lado, altas mais expressivas foram limitadas pela reavaliação do volume efetivo de importações da Índia e pela elevação das estimativas para a safra brasileira por consultorias. O mercado projeta aquisições efetivas indianas entre 300 mil e 500 mil toneladas, volume bem inferior à cota autorizada de 1 milhão de toneladas. O cenário considera ainda as manifestações da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma), que descartam desabastecimento no mercado doméstico. Paralelamente, a Czarnikow elevou a estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 para a faixa de 39 milhões a 39,5 milhões de toneladas, refletindo a maior atratividade econômica do açúcar em relação ao etanol.

 

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