31/08/2026 - 10h13m
Preços da soja estão em alta no mercado doméstico
Preços da soja estão em alta no mercado doméstico
A firme demanda global, as condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte e as incertezas quanto aos possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a safra 2026/27 impulsionam os preços futuros e domésticos da soja. No Brasil, o movimento de alta é reforçado pela retração de uma parte dos vendedores, que, atentos a esses fatores, mostraram preferência por postergar novas negociações. No entanto, para comercializar no mercado spot, muitos desses agentes têm aceitado um prazo de pagamento mais alongado, mas a preços maiores. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja (Set/26) tem avanço de expressivos 2,9% nos últimos sete dias, cotado a US$ 12,56 por bushel. Esse é o maior valor para um primeiro vencimento desde 4 de janeiro de 2024. Mesmo diante da alta externa, os prêmios de exportação no Brasil seguem firmes, resultando em aumento no preço FOB nos portos nacionais, que alcançam os maiores patamares em três anos.
Com base no Porto de Paranaguá (PR) e no embarque em Set/26, a paridade de exportação tem alta de 2,3% nos últimos sete dias, para R$ 162,00 por saca de 60 Kg. Para embarque em nov/26, a paridade de exportação é calculada em R$ 165,36 por saca de 60 Kg. No mercado spot nacional, a retração vendedora também é explicada pela maior atratividade dos valores calculados para os próximos meses. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,3%, cotado a R$ 155,05 por saca de 60 Kg, o maior valor diário, em termos nominais, desde 4 de abril de 2023. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 2% nos últimos sete dias, a R$ 149,21 por saca de 60 Kg, o maior patamar nominal diário desde 22 de março de 2023.
Nos últimos sete dias, os preços registram aumento de 1,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2,8% no mercado de lotes (grão beneficiado, negociado entre empresas). Agentes de mercado voltam a focar no clima e nas negociações da próxima temporada. Vale ressaltar que a semeadura poderá ser iniciada a partir da próxima semana em algumas regiões do Paraná e de São Paulo. De acordo com a Embrapa, o período de vazio sanitário da soja se encerra em 31 de agosto nessas áreas. O Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) divulgou em 26 de agosto a primeira estimativa de área e produção de soja no Paraná para a temporada 2026/27. A área a ser cultivada é projetada em 5,76 milhões de hectares, leve aumento de 0,5% em relação à temporada 2025/26. O rendimento também pode ser maior, o que resultaria na produção de 22,6 milhões de toneladas de soja, 3,8% acima da safra anterior.
Quanto às negociações, com base no preço FOB da soja no Porto de Paranaguá (PR) e no dólar futuro negociado na B3 em 27 de agosto, a paridade de exportação para 2027 é de R$ 155,46 por saca de 60 kg, para fevereiro; R$ 150,94 por saca de 60 Kg, para março; R$ 152,43 por saca de 60 Kg, para abril; em R$ 153,94 por saca de 60 Kg, para maio; R$ 156,91 por saca de 60 Kg, para junho; e em R$ 159,79 por saca de 60 Kg, para embarque em julho. Vale lembrar que o preço médio da soja negociado de janeiro a julho de 2026 é de R$ 131,07 por saca de 60 Kg. As negociações de farelo de soja seguem aquecidas no mercado global, cenário que eleva as cotações nos mercados interno e externo. Na Bolsa de Chicago, o contrato Set/26 do farelo tem avanço de 4,6% nos últimos sete dias, para US$ 363,98 por tonelada. Diante disso e do aumento no prêmio de exportação deste derivado, o preço FOB do farelo de soja apresenta alta de expressivos 4,9% nos últimos sete dias, no Porto de Paranaguá (PR), calculado em US$ 400,25 por tonelada.
Considerando-se o contrato de primeiro vencimento, este é o maior valor desde 2 de outubro de 2024. No Brasil, a disputa por farelo de soja entre compradores nacionais e internacionais segue acirrada. Parte dos consumidores brasileiros, que havia realizado operação frame (negócios que travam antecipadamente os valores da Bolsa, do prêmio e do dólar) para parte do ano e estava ausente das aquisições no mercado spot, voltou a demandar novos volumes para recebimento imediato, cenário que reforça o movimento de alta nos preços domésticos. Nos últimos sete dias, os preços do farelo de soja registram alta de 2,3%. O preço do óleo de soja também está em alta no mercado spot nacional. O preço do óleo (posto em São Paulo com 12% de ICMS) apresenta aumento de 1,1% nos últimos sete dias, para R$ 6.804,92 por tonelada. Diante do maior custo das indústrias com a soja e do aumento menos intenso dos derivados, a “crush margin” reduziu-se expressivamente em 14% nos últimos sete dias no Brasil, sendo calculada a R$ 280,79 por tonelada. O retorno obtido pelo custo da soja passou de 14,2% na semana anterior para 11,8% agora. Para esses cálculos, são utilizados os preços da soja, do farelo e do óleo de soja negociados na região paulista. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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