24/08/2026 - 09h40m
Preços da soja avançam no mercado doméstico
Preços da soja avançam no mercado doméstico
Os preços da soja registram alta expressiva no mercado brasileiro, impulsionados pela combinação de maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. Esse cenário eleva a disputa pelo produto brasileiro. Assim, os Indicadores CEPEA/ESALQ - Paranaguá e CEPEA/ESALQ -Paraná estão nos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023. A demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot. A postura mais cautelosa dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.
No Hemisfério Norte, a irregularidade das chuvas pode comprometer o potencial produtivo, enquanto no Hemisfério Sul os riscos climáticos podem limitar a intenção de expandir a área cultivada. Esse cenário também impulsiona os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta avanço de expressivos 5,2%, cotado a R$ 154,63 por saca de 60 Kg, o maior valor diário, em termos nominais, desde 5 de abril de 2023. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 4,5% nos últimos sete dias, a R$ 146,24 por saca de 60 Kg, também o maior patamar nominal diário desde 5 de abril de 2023.
Nos últimos sete dias, os preços da soja apresentam alta de 3,8% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento da soja (Set/26) tem avanço de expressivos 4,7% nos últimos sete dias, para US$ 12,20 por bushel. A valorização da soja tem aumentado as preocupações de representantes de indústrias quanto à “crush margin”. Para evitar margens menores, parte das indústrias reduz o esmagamento, buscando controlar a oferta e os preços dos derivados. Ainda assim, considerando-se os preços da soja, do óleo e do farelo de soja negociados na região de São Paulo, a “crush margin” registra recuo de 2,6% nos últimos sete dias, para R$ 326,68 por tonelada. O retorno das indústrias, medido pelo custo da soja, acumula queda de 14,9% nos últimos sete dias. A maior participação do farelo de soja na composição da margem evita quedas mais acentuadas da “crush margin”.
Com base nos preços da soja, do óleo e do farelo de soja negociados na região de São Paulo, a participação do farelo na margem da indústria é de 57,2%, a mais elevada desde 3 de março deste ano. A maior disputa pelo farelo de soja disponível eleva o prêmio de exportação no Brasil e o preço FOB, dando suporte também às cotações internas. No Porto de Paranaguá (PR), para embarque em out/26, o prêmio de exportação do farelo de soja está no patamar mais alto desde 20 de setembro de 2024 (considerando-se o embarque do primeiro vencimento). Para fins comparativos, no período equivalente do ano passado, o prêmio de exportação do farelo de soja para o primeiro vencimento estava negativo. No Porto de Paranaguá (PR), para embarque em out/26, o preço FOB do farelo de soja registra alta de expressivos 6% nos últimos sete dias, para US$ 381,40 por tonelada, o maior valor já negociado para esse embarque. Nesse contexto, o preço do farelo de soja tem avanço de 2,7% nos últimos sete dias.
Na Bolsa de Chicago, o contrato Set/26 do farelo de soja tem avanço de 2,7% nos últimos sete dias, para US$ 348,00 por tonelada. Os preços do óleo de soja também estão em alta nos Estados Unidos e no Brasil. A valorização externa está relacionada à alta do petróleo, o que aumenta o incentivo das refinarias à mistura de biodiesel ao óleo diesel. Além disso, expectativas de maior demanda da Índia intensificam as altas externas. Na Bolsa de Chicago, o contrato Set/26 do óleo de soja tem alta de 3,5% nos últimos sete dias, para US$ 1.569,23 por tonelada. A valorização externa sustenta as cotações domésticas. Por outro lado, representantes de indústrias brasileiras sinalizam que a demanda por óleo de soja está abaixo do esperado pelo setor, o que limita as altas. Assim, o preço do óleo de soja (posto em São Paulo, com 12% de ICMS), registra alta de 1% nos últimos sete dias, para R$ 6.731,83 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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