04/08/2026 - 11h59m
Preços do açúcar são firmes , sem indicar no momento uma direção segura . Charbel Felipe
Açúcar: preços do cristal registram leve valorização
Em São Paulo, os preços do açúcar cristal branco registram leve alta. De modo geral, o mercado segue com liquidez restrita, e os compradores vêm atuando de forma seletiva. A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 92,39 por saca de 50 Kg. No que se refere à produção, o temporal na região de Ribeirão Preto (SP) no dia 24 de julho, causou danos a canaviais e a outras lavouras, segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) informa que está mensurando as áreas afetadas junto ao governo estadual e relatou tombamento de cana e operações travadas nas localidades mais prejudicadas.
No campo climático, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou no dia 31 de julho, que o El Niño deve seguir se intensificando, com pico entre agosto e outubro de 2026, e alterações relevantes nos padrões de precipitação. Para o Centro-Sul, avaliações divulgadas nas últimas semanas apontam que as chuvas mais frequentes no segundo semestre tendem a favorecer ainda mais o desenvolvimento dos canaviais, ainda que possam atrasar a colheita e limitar o avanço do ATR. As projeções indicam maior produção de cana-de-açúcar na safra 2026/27 no Centro-Sul, mas menor volume de açúcar. A Stone X estima moagem próxima de 640 milhões de toneladas, o segundo maior volume já registrado na região, resultado de ganhos de produtividade agrícola que mais do que compensam a retração da área colhida.
Ainda assim, o mix açucareiro deve ceder para cerca de 46%, e a produção de açúcar recuar aproximadamente 4%, para aproximadamente 38,5 milhões de toneladas. O contraponto está no etanol: o redirecionamento da matéria-prima, somado à expansão das unidades de milho, deve elevar a oferta do biocombustível a um recorde próximo de 38,8 bilhões de litros, avanço de cerca de 15% na comparação anual. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam retração de 6,4% no volume médio diário das exportações brasileiras de açúcar nas quatro primeiras semanas de julho. Além disso, segundo a consultoria StoneX e o Banco Bradesco, a demanda por açúcar da China e da Indonésia perdeu parte da urgência observada nos últimos meses.
No mercado internacional, os preços do açúcar demerara permanecem em leve alta na Bolsa de Nova York. O clima predominantemente seco ao longo de julho na Região Centro-Sul do Brasil e a previsão de manutenção desse cenário por pelo menos mais duas semanas favorecem o avanço da colheita da cana-de-açúcar, reforçando as expectativas de maior produção. No dia 31 de julho especificamente, o preço do demerara na ICE Futures voltou a ganhar fôlego. De um lado, o Departamento Meteorológico (IMD) da Índia projeta chuvas abaixo da média em agosto e setembro, e o Ministério das Ciências da Terra indica a monção mais fraca dos últimos 11 anos, sinais de risco para a oferta do maior produtor asiático.
De outro, o balanço global da safra 2026/27 reforça o tom altista: a Green Pool elevou a estimativa de déficit mundial para 3,3 milhões de toneladas, enquanto a Organização Internacional do Açúcar (OIA) trabalha com um número mais contido, de 262 mil toneladas. Na Bolsa de Nova York, o contrato Outubro/26 está cotado a 15.08 centavos de dólar por libra-peso, em alta Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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