03/08/2026 - 09h30m
Preços da soja e derivados seguem voláteis , conflitoS , clima , safra e outros. Charbel Felipe
Preços da soja pressionados no mercado interno
Os preços da soja voltaram a se enfraquecer, após as expressivas elevações registradas ao longo de julho. A pressão recente está relacionada sobretudo à redução das cotas disponíveis nos principais portos brasileiros para embarques em agosto, elevando a oferta no mercado spot nacional. Além disso, muitos consumidores haviam antecipado as aquisições nas semanas anteriores e, nos últimos dias, se mantiveram afastados de negociações envolvendo grandes volumes. A melhora das perspectivas para a safra norte-americana, devido ao clima mais favorável, e a desvalorização do petróleo reforçaram a queda das cotações. Apesar do recuo na última semana, os preços domésticos acumularam ganhos expressivos em julho, com as médias mensais dos Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná atingindo os maiores patamares de 2026, em termos reais.
Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,5%, cotado a R$ 145,29 por saca de 60 Kg. Ainda assim, a média de julho, de R$ 141,98 por saca de 60 Kg, avançou expressivos 7,7% em julho frente à média de junho, chegando ao maior patamar deste ano, em termos reais (IGP-DI de junho/26). Na comparação com julho de 2025, os preços permaneceram praticamente estáveis, com alta de apenas 0,1%, também em termos reais. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1% nos últimos sete dias, a R$ 137,82 por saca de 60 Kg. A média de julho foi de R$ 134,48 por saca de 60 Kg, também a maior registrada em 2026, em termos reais. Em relação à média de junho, houve alta de 7,4%; já na comparação com a do mesmo período de 2025, o Indicador ficou 0,55% abaixo, também em termos reais.
Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 0,3% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 0,5% no mercado de lotes (negociações entre empresas). No comparativo mensal, as altas foram mais expressivas: de 6,5% no mercado de balcão e de 8% no mercado de lotes. Os mercados de óleo e farelo de soja apresentam movimentos distintos nos últimos dias. Enquanto os preços do óleo seguem pressionados pela menor procura, sobretudo das indústrias de biodiesel no Brasil, os do farelo permanecem sustentados pelas firmes demandas doméstica e internacional. Apesar da menor demanda por óleo de soja, a incerteza no mercado mundial e as expectativas de aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no Brasil impulsionaram os prêmios de exportação desse coproduto, limitando a queda no mercado spot nacional.
O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra retração de 1,7% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.533,39 por tonelada. Entre as médias de junho e julho, houve ligeiro avanço de 0,4%. No comparativo anual, contudo, os preços caíram 2,9% em julho, em termos reais. Para o farelo de soja, a firme demanda, tanto no mercado interno quanto por compradores internacionais, elevou os prêmios de exportação no Brasil e sustentou as cotações domésticas. No Porto de Paranaguá (PR), para embarque em setembro, os prêmios de exportação do farelo de soja registram alta nos últimos sete dias e são positivos. Há um ano, os prêmios para embarque em setembro eram negativos. Nesse contexto, os preços do farelo de soja apresentam avanço de 1,8% nos últimos sete dias. Na média mensal de julho, ficaram 2,5% acima da registrada em junho e com alta de expressivos 7,2% frente à média de julho de 2025, em termos reais.
O fortalecimento do farelo de soja, em contraste com a pressão sobre o óleo, favoreceu a margem de processamento. Com base nos preços FOB da soja, do farelo e do óleo negociados no Porto de Paranaguá (PR), a “crush margin” passou de US$ 12,89 por tonelada na semana anterior, para US$ 20,86 por tonelada agora. Nesse cenário, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) publicou edital, que se encerrou na sexta-feira (31/07), para selecionar indústrias produtoras de farelo de soja interessadas em utilizar suas unidades armazenadoras, buscando ampliar a capacidade de estocagem e apoiar a comercialização do produto. A medida pode reduzir a necessidade imediata de escoamento do farelo de soja e, consequentemente, ampliar a margem da indústria. No mercado internacional, os preços da soja e de seus derivados registram forte recuo. A desvalorização da soja está associada ao recuo nos preços do petróleo e ao melhor fluxo na rota do Estreito de Ormuz, apesar dos conflitos.
Além disso, chuvas em áreas produtoras de soja nos Estados Unidos trouxeram alívio ao setor. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Ago/26) da soja tem desvalorização de expressivos 4,9% nos últimos sete dias. Apesar da queda recente, a média de julho avançou expressivos 6,5% frente à de junho, para US$ 11,99 por bushel, a maior média nominal desde jun/24, quando havia sido de US$ 12,16 por bushel. Na comparação entre julho/25 e julho/26, a valorização foi expressiva: 19%. O contrato de mesmo vencimento do farelo apresenta queda de expressivos 4,8% nos últimos sete dias. A média de julho foi de US$ 352,56 por tonelada, 4,2% superior à média de junho e expressivos 19,3% acima da registrada em julho/25. O contrato Ago/26 do óleo de soja tem baixa de 9,6% nos últimos sete dias. Em julho, os preços registraram baixa de 2,2% frente à média de junho, para US$ 1.578,88 por tonelada. Entre as médias de julho/25 e julho/26, por outro lado, observa-se alta significativa de 29,6%, em termos nominais. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.