14/07/2026 - 09h47m
Preços do açúcar sobem ( como antecipamos ) com El Nino , Déficit global e aumento do petróleo . Charbel Felipe
Açúcar: preços estáveis e comercialização pontual
Em São Paulo, os preços do açúcar cristal branco estão praticamente estáveis, com negócios pontuais. De modo geral, os compradores estão atentos ao ritmo da safra no Centro-Sul, enquanto vendedores mantêm-se firmes, sem ceder nos valores. As chuvas de maio e junho reduziram o ritmo da colheita e da moagem, mas favorecem o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos na segunda metade da temporada. Segundo a consultoria Hedgepoint, a produtividade acumulada já alcança 84,7 toneladas de cana por hectare, acima da safra passada, e a moagem do ciclo 2026/27 está estimada em cerca de 635 milhões de toneladas, com espaço para revisões positivas caso o desempenho agrícola se mantenha.
No campo climático, a atualização da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) elevou de 63% para 81% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, com 97% de chance de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027. Para a cana-de-açúcar, os efeitos dependerão da distribuição regional das chuvas: o excesso de precipitação pode reduzir o teor de açúcar, enquanto estiagens prolongadas limitam o desenvolvimento da cultura, além de aumentar o risco de queimadas, como em 2024.
A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 92,29 por saca de 50 Kg, pequena alta de 0,08% nos últimos sete dias (R$ 92,21 por saca de 50 Kg). No mercado internacional, a semana de 6 a 10 de julho confirmou que o contrato nº 11 de açúcar na Bolsa de Nova York deixou de operar sob a lógica do excedente confortável e passou a precificar o risco de oferta, ainda que de modo instável. O eixo do movimento é a Índia: o déficit acumulado de monções recuou de 42%, abaixo do normal, em 30 de junho, para 15% em 10 de julho, e essa recomposição rápida das chuvas (contraposta ao alerta do Ministério de Ciências da Terra de que a monção pode ser a mais fraca em 11 anos) explica a alternância entre repiques e correções.
Como fundamentos, permanecem o déficit global estimado em cerca de 600 mil toneladas, agravado pelas ondas de calor que comprimiram os resultados da beterraba europeia, e uma posição líquida comprada recorde dos fundos no Banco de Londres (58.131 lotes na semana encerrada em 7 de julho), configuração que sustenta a alta, mas amplifica qualquer reversão. Entre os períodos de 29 de junho a 3 de julho e o de 6 a 10 de julho, o contrato nº 11 da ICE consolidou patamar superior sem, contudo, converter o ganho por ocasião do fechamento.
Na primeira, com pregões apenas de 29 de junho a 2 de julho (não houve pregão em 3 de julho, devido à antecipação do feriado de Dia da Independência), o vencimento Outubro/26 partiu de 14,78 centavos de dólar por libra-peso e encerrou a 14,85 centavos de dólar por libra-peso. No dia 6 de julho, esse contrato abriu a 15,22 centavos de dólar por libra-peso (2,49% acima do fechamento anterior), atingiu a máxima em quase dois meses no meio da semana, mas recuou para 14,88 centavos de dólar por libra-peso no dia 10 de julho.Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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