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Mercado da Soja segue muito Pujante .

13/07/2026 - 09h07m

Mercado da Soja segue muito Pujante . Charbel Felipe 

Preços da soja avançam no mercado doméstico

A demanda global aquecida, a distribuição heterogênea das chuvas no Hemisfério Norte, a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e a consequente elevação dos futuros, além da postura retraída dos vendedores brasileiros, impulsionam os preços da soja no mercado spot nacional. Assim, a oleaginosa voltou a ser negociada acima dos R$ 140,00 por saca de 60 Kg nos principais portos brasileiros, patamar nominal que não era observado desde janeiro deste ano, antes da entrada da safra 2025/26. Esse conjunto de fatores também fortalece a demanda por embarques imediatos e antecipa as negociações dos prêmios de exportação para embarques em 2028. Os números das exportações seguem evidenciando a força da demanda pela soja brasileira.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil enviou 14,49 milhões de toneladas do grão ao mercado externo em junho, o maior volume já registrado para este mês (a série da Secex se iniciou em 1997). No primeiro semestre do ano, os embarques somaram 69,57 milhões de toneladas, volume 35% superior ao do mesmo período de 2025 e um recorde para os seis primeiros meses do ano. Embora a China permaneça como o principal destino do produto nacional, respondendo por 69,5% das exportações, o Brasil vem ampliando sua presença em outros mercados. No primeiro semestre deste ano, os embarques para diversos países já superaram o volume vendido em todo o ano de 2025. Dentre os destaques estão Turquia (+40%), Países Baixos (+66%), México (+6%), Taiwan (+5%), Bangladesh (+86%), Argélia (+41%), Noruega (+23%), Egito (+263%), Bélgica (+80%), Indonésia (+4%), Dinamarca (+167%), Bahamas (+32%), Romênia (+36%) e Paquistão (+8%).

Uruguai, Peru e Alemanha também voltaram a ampliar as compras de soja brasileira após a expressiva redução observada em 2025. Assim, os embarques destinados a esses países no primeiro semestre deste ano já superam, com folga, todo o volume exportado no ano passado. No mercado de derivados, as exportações brasileiras de farelo de soja totalizaram 2,5 milhões de toneladas em junho. Embora esse volume tenha recuado 1,3% em relação a maio, ainda permaneceu 36,2% acima do registrado em junho de 2025. No acumulado do primeiro semestre, os embarques atingiram o recorde de 12,7 milhões de toneladas, volume 11,4% superior ao do mesmo período do ano passado. Em junho, os principais destinos do farelo brasileiro foram a Indonésia, o Irã e a Espanha. No acumulado do primeiro semestre, destacaram-se a Indonésia (17,9% do total), a Tailândia (11,8%) e o Irã (10,4%).

No caso do óleo de soja, os embarques somaram 140,8 mil toneladas em junho, com retrações de 21,5% frente a maio e de 12,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar da queda mensal, as exportações acumuladas no primeiro semestre de 2026 alcançaram 1,01 milhão de toneladas, volume 31% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e o maior para um primeiro semestre desde 2023. A Índia permaneceu como principal destino do óleo de soja brasileiro, respondendo por 87,5% das exportações de junho e por 76,2% do volume embarcado no primeiro semestre. Ainda que em volumes menores, merece destaque o avanço das exportações para a Venezuela, que, apenas na primeira metade de 2026, já superaram em 10,7% todo o volume vendido em 2025, atingindo o maior patamar desde 2013. Os embarques para o Panamá também se destacam: o volume enviado no primeiro semestre deste ano já ultrapassa o total dos anos anteriores, desde 2020.

O fortalecimento da demanda eleva as cotações da soja no mercado brasileiro. No Porto de Santos (SP), principal canal de exportação do País, a oleaginosa é negociada, em média, a R$ 141,10 por saca de 60 Kg, alta de 2,9% nos últimos sete dias e o maior patamar nominal desde 2 de janeiro deste ano, quando a cotação havia atingido R$ 143,49 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta forte alta de 3,8%, cotado a R$ 140,25 por saca de 60 Kg. A cotação alcança o maior patamar desde 2 de janeiro deste ano, quando o Indicador havia sido de R$ 142,14 por saca de 60 Kg, em termos nominais. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ também registra avanço de 3,8% nos últimos sete dias, a R$ 132,69 por saca de 60 Kg. Esse é o maior patamar nominal desde 2 de janeiro deste ano, quando o Indicador havia chegado a R$ 135,76 por saca de 60 Kg.

Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 2,5% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 2,9% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Entre os derivados, os preços médios do farelo de soja apresentam avanço de 1,4% nos últimos sete dias. O óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%) registra valorização de 1% no mesmo período, a R$ 6.446,12 por tonelada. As valorizações do complexo soja no mercado brasileiro, contudo, foram parcialmente limitadas pela desvalorização do dólar frente ao Real, fator que reduz a competitividade do produto nacional em relação ao norte-americano. Por outro lado, a combinação entre a desvalorização do dólar e as incertezas quanto à produtividade da safra 2026/27 nos Estados Unidos impulsiona os contratos negociados na Bolsa de Chicago. Considerando-se o contrato Jul/26, as valorizações nos últimos sete dias são de 4,2% para a soja, 5,2% para o óleo e 3,8% para o farelo de soja. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.

 

 

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