08/07/2026 - 13h57m
Açúcar: preços sustentados por menor oferta global
Açúcar: preços sustentados por menor oferta global
Segundo a StoneX, a perspectiva de menor oferta global de açúcar na temporada 2026/27 tende a dar sustentação às cotações internacionais nos próximos meses. Um mix açucareiro abaixo do esperado no Centro-Sul do Brasil, os impactos do El Niño sobre a produção na Índia e na Tailândia e a redução do excedente exportável desses importantes fornecedores poderão alterar o equilíbrio do mercado mundial, embora o cenário de curto prazo ainda seja caracterizado por oferta relativamente confortável. O mercado atravessa um período de transição entre fundamentos baixistas de curto prazo e fatores potencialmente altistas para a próxima safra global. Caso o mix de produção no Centro-Sul permaneça menos açucareiro do que o projetado, a redução da disponibilidade exportável deverá exercer pressão de alta sobre os preços internacionais por meio do fluxo de comércio. No Brasil, o Centro-Sul continua disponibilizando elevados volumes de açúcar ao mercado internacional, mesmo operando com um dos menores mix açucareiros dos últimos anos.
A safra 2026/27 acumulava processamento de 145 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até o fim de maio, volume 16% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Apesar da menor destinação de cana-de-açúcar para a produção de açúcar, o desempenho agrícola poderá compensar parcialmente esse efeito, mantendo a produção próxima de 40 milhões de toneladas. Os próximos meses serão decisivos para avaliar a recuperação do mix açucareiro, especialmente em São Paulo, onde as usinas seguem distribuindo a matéria-prima entre a produção de açúcar, etanol hidratado e etanol destinado à exportação. No curto prazo, entretanto, o mercado continua apresentando disponibilidade confortável de oferta. O Brasil mantém elevado ritmo de exportações, enquanto a Tailândia ampliou seu excedente exportável e preserva elevados estoques, reflexo de uma demanda física mais moderada. Além disso, a StoneX projeta superávit de aproximadamente 800 mil toneladas no fluxo global de comércio de açúcar bruto durante o terceiro trimestre de 2026, indicando oferta superior à demanda no período.
Contudo, esse cenário poderá se alterar rapidamente caso a demanda internacional volte a ganhar intensidade, principalmente por parte da China, que antecipou compras ao longo da safra 2025/26 e elevou seus estoques internos, reduzindo a necessidade imediata de novas importações. Caso surjam sinais de menor oferta global, a tendência é que as compras chinesas sejam postergadas para trimestres posteriores. Entre os principais fatores de risco para a produção está a evolução do fenômeno El Niño. A redução das chuvas das monções na Índia já amplia o risco de perdas produtivas caso o déficit hídrico persista. Na Tailândia, a seca também mantém as precipitações abaixo da média histórica, elevando a probabilidade de redução da produção na próxima temporada. Para a Tailândia, a estimativa é de queda de 1,2 milhão de toneladas na produção da próxima safra. Como consequência, o país deverá ampliar suas importações em aproximadamente 700 mil toneladas, reduzir as exportações em cerca de 650 mil toneladas e elevar sua demanda por açúcar branco no mercado internacional, aumentando a necessidade de oferta por parte do Brasil ao longo de 2027.
Outro fator de atenção é a União Europeia, onde as fortes ondas de calor registradas durante o verão elevam o risco de perdas na produção de beterraba. Uma eventual redução da oferta europeia poderá ampliar a necessidade de importações de açúcar branco e contribuir para um mercado internacional mais ajustado. Embora a safra global 2025/26 ainda apresente superávit estimado em 2,3 milhões de toneladas, os fundamentos para 2026/27 começam a indicar um cenário mais restritivo. Entre os fatores de sustentação das cotações destacam-se o risco de um mix açucareiro menor no Brasil, os impactos climáticos na Índia e na Tailândia e a redução do excedente exportável desses países, além da União Europeia. Em contrapartida, permanecem como fatores de pressão o elevado ritmo de produção no Centro-Sul, a menor urgência das importações chinesas e o superávit esperado no fluxo global de açúcar bruto durante o terceiro trimestre de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.