06/07/2026 - 10h27m
Preços da soja estão em alta no mercado doméstico
Preços da soja estão em alta no mercado doméstico
A demanda por soja no Brasil permaneceu aquecida ao longo de junho e ganhou ainda mais força neste início de julho, impulsionada pela valorização do dólar frente ao Real. O movimento aumenta a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, eleva os prêmios de exportação, estimula a comercialização antecipada e sustenta os preços domésticos, apesar das limitações impostas pela menor disponibilidade de cotas portuárias para embarques imediatos. A valorização do dólar frente ao Real reforça o interesse dos importadores pela soja brasileira e estimula a comercialização para o último trimestre do ano. Nesse contexto, as negociações de embarques para novembro tiveram início. Na temporada passada, esses negócios começaram apenas em agosto e, ainda assim, já eram considerados antecipados pelo mercado. Em 2026, portanto, a comercialização avança em ritmo ainda mais acelerado. No Porto de Paranaguá, para embarques em agosto/26, o prêmio de exportação da soja é ofertado a +US$ 1,15 por bushel, acima dos +US$ 1,10 por bushel registrados na semana anterior.
Para efeito de comparação, em 29 de maio, as ofertas estavam em +US$ 0,70 por bushel. A valorização cambial reforça esse cenário. Em junho, a moeda norte-americana registrou média de R$ 5,13, a mais alta dos últimos três meses. Com isso, os preços da soja também estão em alta no mercado spot nacional. As altas, contudo, são limitadas pela redução das cotas portuárias para embarques no mês corrente. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,7%, cotado a R$ 135,08 por saca de 60 Kg. Na comparação entre as médias de maio e junho, a valorização foi de 2,2%, com média de R$ 131,81 por saca de 60 Kg em junho, a maior dos últimos três meses, em termos reais (IGP-DI, maio/26). No comparativo anual (jun/25 a jun/26), observa-se queda de 6%, também em termos reais. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,3% nos últimos sete dias, a R$ 127,87 por saca de 60 Kg.
Em junho, a média foi de R$ 125,55 por saca de 60 Kg, 1,8% superior à de maio, porém, 7% inferior à registrada em junho de 2025, também em termos reais. Nos últimos sete dias, os preços apresentam aumento de 0,9% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 1,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). No comparativo entre as médias mensais, as altas foram de 1,3% e 1,9%, respectivamente. As negociações envolvendo farelo de soja também estão aquecidas nos últimos dias, sobretudo diante da maior demanda externa, o que interrompeu o movimento de baixa observado ao longo de junho. Notícias de que a rota ferroviária que liga Mato Grosso ao Porto de Itaqui (MA) pode ampliar o transporte de farelo de soja também contribuem para sustentar as cotações. Em média, os preços do farelo registram avanço de 0,2% nos últimos sete dias. No comparativo entre as médias mensais, entretanto, prevaleceram as baixas: de 1,6% em relação à de maio e de 2,4% em relação à média de junho de 2025, em termos reais.
No mercado de óleo de soja, a menor demanda da indústria de biodiesel mantém a liquidez reduzida e pressiona os valores. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%) registra recuo de 0,4% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.382,71 por tonelada. A média de junho foi de R$ 6.505,59 por tonelada, a menor desde junho de 2025, quando foi de R$ 6.349,87 por tonelada, em termos reais. As expectativas de novas compras de soja norte-americana pela China estão dando sustentação aos contratos futuros da oleaginosa. Ainda assim, no acumulado de junho, o primeiro vencimento na Bolsa de Chicago registrou o menor patamar desde fevereiro deste ano, pressionado pelas expectativas de maior oferta nos Estados Unidos. Esse cenário foi reforçado pelos dados de área e de estoques trimestrais divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 30 de junho. A área cultivada com soja na safra 2026/27 foi estimada em 34,55 milhões de hectares, 0,8% superior à projeção anterior. Além disso, os estoques norte-americanos de soja em 1º de junho foram estimados em 28,88 milhões de toneladas, volume 5,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Na Bolsa de Chicago, o contrato Jul/26 da soja em grão registra avanço de 0,38% nos últimos sete dias. A média de junho foi de US$ 11,26 por bushel (US$ 24,83 por saca de 60 Kg), 5,7% inferior à de maio, mas 7,3% superior à registrada em junho de 2025. No mercado futuro de farelo de soja, o contrato de primeiro vencimento apresenta recuo de 0,16% nos últimos sete dias. Entre as médias de maio e junho, a queda foi mais intensa, de 6,8%, refletindo a maior oferta na América do Sul e o aumento da concorrência entre Brasil e Argentina nas exportações desse subproduto. Quanto ao óleo de soja, as incertezas quanto ao tráfego no Estreito de Ormuz afastaram agentes do mercado, pressionando as cotações futuras. O primeiro vencimento acumula baixa de 5,5% nos últimos sete dias e de 3,2% na comparação entre as médias de maio e de junho. No comparativo anual, por sua vez, observa-se expressiva elevação de 45% em termos nominais. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.