30/06/2026 - 10h33m
Açúcar :Exportação pagando 10% mais que mercado interno , o fardo abaixo de Esalq , o empacotado deve subir . Charbel Felipe
Açúcar: preço sustentado e baixa liquidez no mercado
Em São Paulo, os preços do açúcar cristal branco apresentam leve recuperação devido às chuvas, que limitaram a colheita e, consequentemente, reduziram a oferta de açúcar. De modo geral, os compradores mantêm-se resistentes em realizar negócios, na expectativa de preços mais baixos. Assim, o contexto ainda é de baixa liquidez. A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 92,63 por saca de 50 Kg, alta de 0,81% nos últimos sete dias (R$ 91,88 por saca de 50 Kg). A percepção de oferta relativamente abundante segue presente, com agentes apontando a expansão do etanol de milho e a alta capacidade instalada de açúcar no Centro-Sul como fatores que limitam reações mais firmes dos preços de açúcar.
Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), divulgados no dia 22 de junho, indicaram produção de açúcar no Centro-Sul de 2,2 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio/26, recuo expressivo de 25,62% frente ao mesmo período da safra anterior, acompanhando a queda de 13,08% na moagem na comparação quinzenal. Trata-se de resultado tanto das chuvas em parte da região quanto do maior direcionamento de cana-de-açúcar para o etanol, favorecido pela competitividade do hidratado. No acumulado do ciclo 2026/27 (até 1º de junho), contudo, a moagem avançou 15,81%, enquanto a produção de açúcar registrou leve queda de 1,97% frente à temporada anterior, somando 6,84 milhões de toneladas.
A possibilidade de um super El Niño no segundo semestre tem trazido preocupações a agentes do setor açucareiro. Acredita-se, no entanto, que a cultura da cana-de-açúcar já passou pela principal janela de desenvolvimento da safra 2026/27, e que o fenômeno tende a afetar mais intensamente a Região Sul, com menor impacto na produção de cana-de-açúcar, localizada especialmente no Centro-Sul. Eventuais chuvas mais volumosas podem atrasar o ritmo de moagem nas áreas produtoras, mas a expectativa segue positiva para o setor, com a safra brasileira estimada em cerca de 635 milhões de toneladas de açúcar. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 11,43 por saca de 5 Kg.
No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York estão em alta, influenciados pelo agravamento de problemas climáticos em várias regiões produtoras de açúcar ao redor do mundo, o que pode prejudicar a produção principalmente da próxima temporada mundial 2026/27. Na Índia, a preocupação é com o menor volume das chuvas de monções, cuja temporada vai de junho a setembro. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monções até o dia 26 de junho estão 42% abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra da Índia alerta que a monção deste ano no país pode ser a mais fraca em 11 anos.
Na Tailândia, segundo maior exportador de açúcar do mundo, o clima está seco e com chuvas abaixo da média. Na Europa, de modo geral, a onda de calor extremo pode comprometer o desenvolvimento da beterraba sacarina, principalmente na fase atual, de crescimento vegetativo da planta. Segundo projeções preliminares da Rabobank, a próxima temporada mundial deve ter déficit de 1,1 milhão de toneladas na produção de açúcar. No entanto, no curto prazo, a oferta de açúcar parece estar mais confortável, dificultando a recuperação dos preços. Na Bolsa de Nova York, o contrato Julho/26 está cotado a 13,98 centavos de dólar por libra-peso, alta de 2,87% nos últimos sete dias. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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