23/06/2026 - 10h48m
Açúcar: preços pressionados pela oferta elevada
Açúcar: preços pressionados pela oferta elevada
Em São Paulo, as cotações do açúcar cristal branco seguem em queda, em meio à baixa liquidez. As recentes chuvas chegaram a frear o ritmo de colheita, mas o volume de açúcar disponível tem sido suficiente para manter o movimento baixista, visto que os compradores permanecem retraídos. Parte dos players aguarda novos dados de produção, especialmente da União da Industria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), para balizar as próximas decisões. Pelo lado da oferta, dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicaram recuo expressivo de 25% na produção de açúcar no Centro-Sul na segunda quinzena de maio frente ao mesmo período do ano anterior, para 2,19 milhões de toneladas, acompanhando a redução na moagem no período. O resultado reflete tanto as chuvas acima da média em parte de São Paulo e de Mato Grosso do Sul quanto o maior direcionamento de cana-de-açúcar para a produção de etanol.
No acumulado do ciclo 2026/27, contudo, a moagem avançou 16,2%, enquanto a produção de açúcar registrou leve queda de 3,1% frente à temporada anterior, somando 6,81 milhões de toneladas. A consultoria Rural Clima aponta que as chuvas previstas para a segunda quinzena de junho no Centro-Sul podem atrapalhar o andamento e o rendimento da colheita de cana-de-açúcar, além de afetar a qualidade da matéria-prima. As precipitações tendem a ficar acima da média em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, ainda que a região de Ribeirão Preto, importante polo canavieiro, deva registrar volumes próximos da média histórica. A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 91,88 por saca de 50 Kg, retração de 0,48% nos últimos sete dias (R$ 92,33 por saca de 50 Kg). No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York seguem pressionados pela queda dos preços da energia.
Com o avanço das negociações para um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, as cotações do petróleo recuaram para patamares próximos aos observados antes do conflito, em torno de US$ 70,00 por barril. Nesse contexto, as usinas tendem a direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, uma vez que o etanol perde competitividade frente à gasolina mais barata. Além da desvalorização da energia, a redução das importações chinesas de açúcar também exerceu pressão sobre as cotações internacionais. A China, maior importadora mundial da commodity, adquiriu, em maio de 2026, volume 36,8% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. Por outro lado, a Índia ( N 2 na produção mndial ) poderá restringir ainda mais suas exportações de açúcar, ou até mesmo deixar de exportar a commodity nas próximas temporadas. Além do aumento da demanda doméstica por etanol, há preocupações quanto aos impactos do fenômeno El Niño sobre o regime de chuvas do país.
Registros históricos do Departamento Meteorológico da Índia indicam que episódios de El Niño de intensidade moderada a forte costumam reduzir significativamente as chuvas de monções, fator que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, a produção de açúcar. Nesse cenário, uma eventual redução da oferta exportável indiana poderia limitar a disponibilidade de açúcar para importantes mercados importadores da África, Ásia e Oriente Médio, fornecendo suporte adicional às cotações do açúcar demerara negociado na Bolsa de Nova York. O contrato Julho/26 registra média de 13,74 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 1,34% nos últimos sete dias. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 11,66 por saca de 5 Kg. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.