16/06/2026 - 09h34m
Preços do açúcar seguem "de lado " sem alterações significativas . Charbel Felipe
Açúcar: preços pressionados pela fraca demanda
Em São Paulo, as cotações do açúcar cristal branco seguem em queda, ainda em meio à baixa movimentação, visto que os compradores seguem retraídos, à espera de mais baixas em meio à oferta abundante de açúcar neste início do ciclo 2026/27. No campo climático, a National Oceanic and Atmospheric Administration dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a ocorrência do fenômeno El Niño, que tende a ampliar os riscos sobre a produção de açúcar em regiões importantes, como Índia, Tailândia e partes do Brasil. As expectativas no Centro-Sul brasileiro são de aumento no volume de chuvas, o que pode dificultar a colheita e o processamento da cana-de-açúcar, com potencial de limitar a oferta no curto prazo.
A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 93.63por saca de 50 Kg. No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York permaneceram em baixa diante de perspectivas de maior oferta global no curto prazo. O contrato Jul/26 voltou a ser negociado a 13,70 centavos de dólar por libra-peso, retornando aos níveis observados no final de abril deste ano. A boa qualidade da cana-de-açúcar colhida no primeiro mês oficial da safra 2026/27 da Região Centro-Sul do Brasil contribuiu para um desempenho expressivo da produção açucareira.
Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de Açúcar Total Recuperável (ATR) atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana-de-açúcar processada no acumulado da safra até o dia 1º de maio deste ano, avanço de 5,40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além da maior concentração de açúcares na matéria-prima, o aumento do volume processado de cana também favoreceu a produção. Foram colhidas 60,458 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na região até o final de abril, volume 74,58% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Como resultado, a produção de açúcar alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril, crescimento de 55,3% na comparação anual.
A Tailândia também vem reforçando a oferta global da commodity. Segundo dados da Barchart, o país exportou 1,6 milhão de toneladas de açúcar nos quatro primeiros meses de 2026, volume 29% superior ao embarcado no mesmo período de 2025. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,2 milhões de toneladas para a temporada 2025/26. A queda dos preços internacionais do petróleo exerce pressão adicional sobre as cotações do açúcar. Com o barril negociado próximo de US$ 86,00 por barril, a competitividade do etanol tende a diminuir à medida que a gasolina se torna mais barata para o consumidor.
Esse cenário pode estimular as usinas brasileiras a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, ampliando a oferta da commodity e reforçando o viés baixista do mercado. Na Bolsa de Nova York, o contrato Julho/26 registrou média de 13,92 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2,62% em relação à média da semana anterior. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 11,80 por saca de 5 Kg, estável nos últimos sete dias. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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