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Preços da soja sustentados no mercado doméstico

02/06/2026 - 09h33m

Preços da soja sustentados no mercado doméstico

Preços da soja sustentados no mercado doméstico

A valorização do óleo de soja no mercado internacional segue sustentando as cotações da oleaginosa e alterando a composição da rentabilidade da indústria de processamento nos Estados Unidos. Com a forte demanda do setor de biodiesel, os preços do óleo registraram alta expressiva em maio, ampliando sua participação nas margens industriais. No mercado brasileiro, entretanto, o repasse das altas externas permanece limitado pela pressão dos prêmios de exportação e pela demanda doméstica enfraquecida. Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento do óleo registra avanço de 3,8% nos últimos sete dias, cotado a US$ 1.690,93 por tonelada. No acumulado de maio, a elevação desse contrato foi de 7,9%, levando a média de maio ao maior patamar nominal desde julho de 2022. O fortalecimento do óleo vem alterando a composição da margem da indústria. Há um ano, o farelo respondia por 55,2% da margem de lucro da indústria de processamento nos Estados Unidos, enquanto o óleo representava 44,8%.

Neste ano, porém, a participação se inverteu: o óleo passou a representar 52,8% das margens, frente aos 47,2% do farelo no dia 28 de maio, evidenciando o maior peso do derivado energético na rentabilidade do processamento. Apesar da valorização externa, os ganhos no mercado brasileiro do óleo seguem limitados pela forte pressão dos prêmios de exportação. Com base no Porto de Paranaguá (PR), os prêmios do óleo para embarque em junho/26 são negociados abaixo do verificado há um ano. Além disso, a demanda doméstica por óleo de soja para consumo interno esteve enfraquecida em maio, diante da cautela do setor de biodiesel. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra recuo de 0,41% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.333,30 por tonelada. Em maio, a média foi de R$ 6.532,06 por tonelada, queda de 5% em relação à média de abril. O farelo de soja também apresenta valorização no mercado externo, impulsionada pela expectativa de aumento da procura internacional pelo derivado norte-americano.

Esse cenário decorre da menor oferta da Índia, que, embora pouco significativa em volume, vem gerando expectativas de que os Estados Unidos absorvam parte dessa demanda. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento do derivado tem alta de 1,7% nos últimos sete dias, a US$ 368,28 por tonelada. Na parcial de maio (até o dia 28), esse mesmo contrato registrou a maior média nominal desde julho de 2024, com alta de 1,5% frente a abril. No mercado interno, porém, os preços do farelo estão pressionados pela retração da demanda. Grande parte dos consumidores domésticos segue abastecida, adquirindo apenas pequenos volumes para reposição de estoques. Os preços do farelo de soja têm baixas de 0,2% nos últimos sete dias e de 1,2% na comparação entre as médias de abril e de maio. Os contratos futuros da soja em grão registram leve avanço de 0,02% nos últimos sete dias, a US$ 11,94 por bushel. Em maio, a valorização é de 2,3% frente à média de abril. O avanço foi limitado pela ampla oferta de soja na América do Sul.

No mercado spot nacional, os preços são impulsionados pela firme demanda externa pela soja brasileira e pela valorização do dólar, o que tende a estimular ainda mais as exportações do Brasil. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1%, cotado a R$ 130,90 por saca de 60 Kg. Na parcial de maio (até o dia 28), a média foi de R$ 129,32 por saca de 60 Kg, 1,4% acima da média de abril. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra valorização de 1% nos últimos sete dias, a R$ 124,59 por saca de 60 Kg. A média de maio (até o dia 28), de R$ 122,97 por saca de 60 Kg, ficou 1,3% acima da registrada em abril. Nos últimos sete dias, os preços da oleaginosa apresentam alta de 0,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,4% no mercado de lotes. Na comparação entre abril e maio, as médias seguiram em direções distintas, com queda de 0,5% no mercado de balcão, mas alta de 1,1% no mercado de lotes.

Com a proximidade do fim da colheita da safra 2025/26 no Brasil, confirma-se a produção recorde no País. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 99% da área havia sido colhida até 22 de maio, restando apenas Maranhão (86%), Santa Catarina (97,2%), Piauí (99%) e Rio Grande do Sul (97%) para concluírem os trabalhos. Por outro lado, há previsões de que o fenômeno climático El Niño possa impactar significativamente a safra 2026/27. Assim, a demanda por contratos a termo com entrega prevista para o primeiro trimestre de 2027 aumentou. Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou que o cultivo da temporada 2026/27 alcançou 79% da área até 24 de maio, avanço de 12% em uma semana e acima dos 68% semeados na média dos últimos cinco anos. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires informou que a colheita de soja atingiu 84,6% da área. Os trabalhos estão 10% à frente da temporada anterior e 8% à frente da média dos cinco anos anteriores. Com bom rendimento, a estimativa de produção foi mantida em 50,1 milhões de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.