25/05/2026 - 09h20m
Preços da soja sustentados no mercado doméstico
Preços da soja sustentados no mercado doméstico
Os preços futuros da soja nos Estados Unidos seguem em recuperação, impulsionados pelo avanço de acordos comerciais entre os governos norte-americano e da China, principal importadora global da oleaginosa. O país asiático comprometeu-se a adquirir dos Estados Unidos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas, além de 25 milhões de toneladas de soja. Soma-se a isso o dólar abaixo de R$ 5,00, o que tende a favorecer as exportações norte-americanas. O primeiro vencimento da soja negociado na Bolsa de Chicago operou na semana passada entre US$ 25,95 e US$ 26,74 por saca de 60 Kg, acima dos US$ 23,15 até US$ 23,52 por saca de 60 Kg registrados em igual período de 2025. Além disso, esse contrato registra a maior média nominal dos últimos dois anos, de US$ 26,36 por saca de 60 Kg, na parcial deste mês. Vale destacar que a expectativa é de manutenção da forte demanda chinesa por soja brasileira, favorecida pelo menor prêmio de exportação no Brasil.
No Porto de Paranaguá (PR), o prêmio para embarque em junho é negociado a +US$ 0,15 por bushel, abaixo do valor observado há um ano. Nesse contexto, a soja em grão para embarques entre junho e agosto de 2026, também com base no Porto de Paranaguá (PR), é negociada entre US$ 26,91 e US$ 27,79 por saca de 60 Kg, acima dos valores observados no mercado spot nacional. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1%, cotado a R$ 129,64 por saca de 60 Kg. A valorização doméstica está atrelada à firme demanda, sobretudo externa, pela soja brasileira. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a média diária de exportações neste mês (10 dias úteis) supera em 18,5% a registrada no mês anterior.
Vale lembrar que o Brasil já havia registrado recorde de embarques da oleaginosa em abril. A China importou do Brasil 27,61 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre deste ano. Considerando-se a parcial da temporada 2025/26 (de outubro de 2025 a abril de 2026, conforme o calendário do USDA), os embarques brasileiros para o país asiático somaram 40,4 milhões de toneladas. No mercado doméstico, a liquidez também permanece aquecida. Contudo, o enfraquecimento na demanda por derivados limita os negócios em algumas regiões. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 0,8% nos últimos sete dias, a R$ 123,32 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços apresentam alta de 0,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,9% no mercado de lotes (negociações entre empresas).
A demanda por derivados está enfraquecida. Consumidores de farelo de soja seguem abastecidos para o médio prazo, enquanto a procura por óleo de soja, especialmente por indústrias de biodiesel, perdeu força nos últimos dias. O preço do farelo de soja tem baixa de 0,2% nos últimos sete dias. O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) está cotado a R$ 6.359,26 por tonelada, recuo de 1,16% nos últimos sete dias. No mercado externo, após o primeiro vencimento do farelo de soja ter alcançado o maior valor nominal desde outubro de 2024, o preço futuro registra recuo de 1,2% nos últimos sete dias, a US$ 362,00 por tonelada. O contrato de primeiro vencimento do óleo de soja está oscilando nos últimos sete dias, cotado a US$ 1.628,54 por tonelada. O Brasil segue na reta final da safra 2025/26, consolidando produção recorde. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 98,8% da área havia sido colhida até 15 de maio, restando apenas Maranhão (81%), Piauí (99%), Santa Catarina (94,2%) e Rio Grande do Sul (97%) para concluir os trabalhos.
Na Argentina, a colheita da temporada atual atingiu 74,7% da área até 21 de maio, avanço de 17% frente à semana anterior. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires após análise com sensores remotos, a área cultivada foi revisada de 17,2 milhões para 16,8 milhões de hectares, 9% abaixo da safra passada e 1,3% inferior à média das últimas cinco temporadas. Ainda assim, a redução de área vem sendo compensada por produtividade acima da média. Diante disso, a estimativa de produção foi elevada de 48,6 milhões para 50,1 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o plantio da safra 2026/27 atingiu 67% da área até 17 de maio, avanço de 18% em uma semana e acima dos 53% registrados na média dos últimos cinco anos, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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