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Preços da soja sustentados no mercado doméstico

17/05/2026 - 11h56m

Preços da soja sustentados no mercado doméstico

Preços da soja sustentados no mercado doméstico

A valorização do dólar e as projeções de ampliação da participação brasileira no abastecimento mundial de soja impulsionam as negociações e sustentam os preços no mercado interno. Ao mesmo tempo, as expectativas de forte demanda global por farelo e óleo de soja mantêm firmes as cotações internacionais, mesmo diante da pressão sobre os embarques dos Estados Unidos. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,7%, cotado a R$ 128,33 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 1,1% nos últimos sete dias, a R$ 122,32 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços da soja têm alta de 0,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas).

 

No cenário internacional, o relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no dia 12 de maio aponta que a produção mundial de soja deve atingir um novo recorde na safra 2026/27, passando de 427,6 milhões de toneladas para 441,5 milhões de toneladas. O Brasil deve manter-se como o principal produtor global, com participação estimada de 42,1% da produção mundial, elevando sua colheita de 180 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 186 milhões de toneladas em 2026/27. No mercado doméstico, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também projeta crescimento da produção brasileira, a 180,13 milhões de toneladas na atual temporada (2025/26), volume 0,5% superior ao projetado em abril e 5% acima da safra anterior. Até 8 de maio, 98,3% das lavouras haviam sido colhidas no País.

Nos Estados Unidos, o foco do mercado está voltado para a safra 2026/27 (de setembro/26 a agosto/27). Segundo o USDA, até o dia 10 de maio, a semeadura alcançou 49% da área prevista, de 33,87 milhões de hectares, com produção estimada em 120,7 milhões de toneladas, 4,06% acima da temporada atual e a maior desde 2021/22. Na Argentina, o USDA projeta produção de 50 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 4,17% em relação às 48 milhões de toneladas indicadas para 2025/26. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima a produção atual argentina em 48,6 milhões de toneladas e indica que, até 13 de maio, a colheita havia atingido 57,9% da área projetada. As projeções de exportação também reforçam a liderança brasileira no mercado global. O Brasil deve responder por cerca de 62% das transações mundiais da oleaginosa nas safras 2025/26 e 2026/27, com embarques recordes projetados em 115 milhões e 117,5 milhões de toneladas, respectivamente.

Em contrapartida, os embarques norte-americanos da safra 2025/26, encerrada em agosto de 2026, foram revisados para o menor volume desde 2012/13, totalizando 41,64 milhões de toneladas, queda de 0,6% frente ao relatório de abril e retração de 18,7% em relação à temporada passada. No mercado futuro, agentes aguardavam novas sinalizações sobre as negociações entre a China e os Estados Unidos durante a reunião entre os presidentes dos dois países, realizada na semana passada. As expectativas quanto ao encontro impulsionaram os futuros da soja na Bolsa de Chicago, levando os valores ao maior patamar nominal desde 28 de maio de 2024 no dia 13 de maio de 2026, a US$ 12,15 por bushel. Contudo, a ausência de avanços concretos na reunião reduziu o suporte e está pressionando os futuros. Apesar desse movimento, as perdas são limitadas pelas expectativas de crescimento da demanda mundial por derivados de soja.

O USDA projeta aumento expressivo do esmagamento global, passando de 369,53 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 383,13 milhões de toneladas na 2026/27. Na Argentina, a menor oferta de soja em 2025/26 deve reduzir em cerca de 4% o volume destinado ao esmagamento, restringindo também as exportações desse país, que é o principal fornecedor global de farelo. Ainda assim, a Argentina deve responder por 34,5% das transações mundiais de farelo de soja em 2025/26 e por 33,2% em 2026/27. Na sequência, o Brasil deve representar 29,7% e 30,5% das exportações globais nas respectivas safras, enquanto os Estados Unidos devem ter participações de 21,4% em 2025/26 e de 22,3% em 2026/27. O consumo doméstico de farelo de soja também deve atingir recordes nos três principais exportadores do derivado, cenário que pode intensificar a competitividade entre compradores nos mercados interno e externo.

 

Segundo o USDA, o consumo interno argentino deve alcançar 3,6 milhões de toneladas em 2025/26 e 3,65 milhões em 2026/27. No Brasil, a demanda é projetada em 21,8 milhões e 23 milhões de toneladas, respectivamente, enquanto nos Estados Unidos o consumo deve atingir 39,5 milhões de toneladas em 2025/26 e 40,03 milhões em 2026/27. Diante desse cenário, o primeiro vencimento do farelo de soja negociado na Bolsa de Chicago atingiu o maior patamar nominal desde 1º de outubro de 2024, a US$ 377,76 por tonelada no dia 14 de outubro. No mercado de óleo de soja, o principal destaque continua sendo o avanço do consumo pelo setor industrial nos Estados Unidos e no Brasil. Nos Estados Unidos, a projeção é de que este segmento represente 47,8% da demanda doméstica de óleo de soja na safra 2025/26, percentual que pode subir para 54,3% em 2026/27. No Brasil, as estimativas apontam participação de 63,3% e 64% da demanda total nas respectivas temporadas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.

 

 

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