11/05/2026 - 10h05m
Recorde de exportação do complexo soja sustenta receita .Semana inicia com bolsa em alta por conta de Trup rejeitar proposta do Irã . Charbel Felipe
Preços da soja em baixa no mercado doméstico
Impulsionado pela forte demanda global, sobretudo da China, o Brasil segue liderando as exportações de soja, com volumes recordes. Apesar da pressão exercida pela ampla oferta interna, pela desvalorização cambial e pelo recuo das cotações domésticas, o bom desempenho das exportações tem sustentado a receita do setor. Em abril, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, recorde da série da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), com aumentos de 15,35% frente ao volume de março e de 9,6% em relação ao verificado no mesmo mês de 2025. Os embarques à China, especificamente, avançaram 17,6% de março para abril. No acumulado de janeiro a abril, as vendas externas somaram 40,24 milhões de toneladas, também o maior volume já registrado para o período. Mesmo com o forte ritmo dos embarques, o valor médio recebido pelas exportações no primeiro quadrimestre foi de R$ 130,19 por saca de 60 Kg, o menor desde 2020, quando a média havia sido de R$ 97,73 por saca de 60 Kg, em termos nominais. Ainda assim, a receita em dólar obtida com os embarques de soja alcançou US$ 16,58 bilhões entre janeiro e abril, a maior desde 2023, quando foi de US$ 18,4 bilhões.
Vale lembrar que, na média de janeiro a abril de 2023, a soja negociada no Porto de Paranaguá (PR), principal referência para a formação de preços no Brasil, foi cotada a US$ 31,88 por saca de 60 Kg. Neste ano, a média no mesmo período caiu para US$ 24,73 por saca de 60 Kg. No mercado spot nacional, as cotações seguem enfraquecidas. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,2%, cotado a R$ 127,38 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,3% nos últimos sete dias, a R$ 120,94 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços da oleaginosa registram recuo de 1,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). As exportações e a receita obtida com as vendas externas de derivados da soja também seguem aquecidas, embora os preços domésticos permaneçam em baixa.
Segundo a Secex, o Brasil exportou 2,39 milhões de toneladas de farelo de soja em abril, o maior volume desde maio de 2023 e um recorde considerando-se o mês de abril. Frente a março, os embarques cresceram 32,2% e, em relação a abril de 2025, 12,7%. No acumulado de janeiro a abril, as vendas somaram 7,7 milhões de toneladas, também recorde para esse período. As exportações de óleo de soja igualmente avançaram em abril. O Brasil embarcou 198,93 mil toneladas do derivado, o maior volume desde 2022. Os avanços foram de 18,3% frente a março e de expressivos 111,8% na comparação anual. No primeiro quadrimestre, os embarques totalizaram 700,68 mil toneladas, 48,7% acima do registrado no mesmo período de 2025 e o maior patamar para este intervalo desde 2023. A receita com as exportações de farelo de soja somou US$ 869,7 milhões em abril, a maior desde outubro de 2024. No acumulado do primeiro quadrimestre, o Brasil faturou US$ 2,72 bilhões com as vendas externas do derivado, aumento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
A receita obtida com as exportações de óleo de soja atingiu US$ 234,7 milhões em abril, a maior desde junho de 2023. Entre janeiro e abril, o faturamento somou US$ 799 milhões, expressivos 67,4% acima do registrado em igual período de 2025. Mesmo diante do bom desempenho das exportações, os preços domésticos dos derivados seguem pressionados, reflexo da menor demanda de consumidores internos, que demonstram facilidade em recompor estoques. O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) tem média de R$ 6.583,79 por tonelada, queda de 3,28% nos últimos sete dias. Para o farelo de soja, a retração é de 1,2% no mesmo intervalo. Os preços do complexo soja na Bolsa de Chicago são pressionados pela demanda enfraquecida, pela desvalorização do petróleo e pelo bom ritmo de cultivo da nova safra nos Estados Unidos. Nesse contexto, o contrato Maio/26 da soja registra baixa de 0,4% nos últimos sete dias, a US$ 11,77 por bushel. O contrato de mesmo vencimento do farelo tem recuo de 0,3% nos últimos sete dias, para US$ 354,17 por tonelada.
O contrato Maio/26 do óleo de soja tem queda de 1,7% no mesmo período, para US$ 1.655,43 por tonelada. Vale ressaltar que os futuros do óleo chegaram a atingir 78,40 centavos de dólar por libra-peso no dia 5 de maio, o maior nível desde 13 de junho de 2022, antes de devolverem parte dos ganhos. As atividades de campo da temporada 2025/26 estão praticamente encerradas no Brasil. Até 1º de maio, 94,7% da área havia sido colhida, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os Estados que ainda registram trabalhos de colheita são Maranhão (68%), Piauí (98%), Bahia (95%), Minas Gerais (99%), Paraná (99%), Santa Catarina (74,7%) e Rio Grande do Sul (78%). Na Argentina, a colheita de soja avançou 16% na última semana, alcançando 34,3% da área, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Apesar do avanço expressivo, os trabalhos ainda seguem 5% atrás da média das últimas cinco temporadas. Nos Estados Unidos, o cultivo da safra 2026/27 atingiu 33% da área até 3 de maio, avanço de 10% em uma semana e acima dos 23% registrados na média dos últimos cinco anos, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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