04/05/2026 - 09h30m
Preços da soja estão firmes no mercado doméstico
Preços da soja estão firmes no mercado doméstico
Os preços da soja seguem firmes no Brasil, mesmo diante da safra recorde, estimada em 180 milhões de toneladas. A sustentação vem das aquecidas demandas interna e externa, especialmente por parte das indústrias esmagadoras, e do avanço das cotações dos derivados. No mercado internacional, o conflito no Oriente Médio e a consequente valorização do petróleo reforçam o movimento de alta no Brasil, à medida que esse cenário eleva a atratividade do biodiesel e, consequentemente, a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível. Os preços do farelo de soja também avançam nos Estados Unidos, impulsionados pela expectativa de maior demanda por parte da União Europeia. Há relatos de restrições do bloco europeu a cargas da América do Sul após a identificação de transgênicos não autorizados, fator que gera incertezas quanto às exportações do Brasil e da Argentina, principais fornecedores globais do derivado.
Com altas mais intensas nos preços do farelo e, sobretudo, do óleo frente às do grão, a rentabilidade da indústria processadora segue em expansão. Com base nos contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago, a crush margin é calculada em US$ 149,69 por tonelada na média de abril, 17,3% acima da de março e expressivos 92,5% superior à do mesmo período do ano passado. No dia 29 de abril, o óleo respondeu por 52,1% dessa margem, o que constitui um recorde da série histórica. No mercado spot nacional, considerando-se os preços da região de São Paulo, a crush margin registra recuo de 0,8% nos últimos sete dias, mas registrou, em abril, a maior média mensal desde agosto/24, de R$ 661,01 por tonelada. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1,7%, cotado a R$ 129,10 por saca de 60 Kg.
A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 1,7% nos últimos sete dias, a R$ 122,58 por saca de 60 Kg. Na comparação entre as médias de março e abril, porém, observam-se recuos, de 1,5% e 0,9%, na mesma ordem. Nos últimos sete dias, os preços da soja têm alta de 0,9% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,4% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Entre março e abril, as médias mensais recuaram 1,6% e 0,5%, respectivamente. Quanto aos derivados, os preços do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registram avanço de 1,8% nos últimos sete dias. Em abril, a média foi de R$ 6.878,88 por tonelada, a maior desde novembro/25, em termos reais, com altas de 2,7% frente a março e de 4,1% frente a abril/25. O farelo de soja apresenta desvalorização de 0,4% nos últimos sete dias. Na média mensal, ficou 1,2% abaixo da de março e 3,2% inferior à de abril/25, em termos reais. A média mensal do dólar em abril, de R$ 5,04, caiu 3,7% frente à de março e 12,8% em relação à de abril/25, sendo a menor desde março/24.
A valorização do Real tende a aumentar a competitividade dos produtos norte-americanos, o que contribui para a firmeza das cotações externas. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 da soja em grão apresenta alta de 1,9% nos últimos sete dias. Apesar disso, a média de abril recuou 0,3% frente a março, mas ficou 13,4% acima da de abril/25. O contrato de primeiro vencimento do óleo de soja tem avanço de expressivos 5,1% nos últimos sete dias. Em abril, a média foi de US$ 1.536,53 por tonelada, alta de 5,8% frente à do mês anterior, avanço de 46,7% em um ano e a maior nominal desde novembro/22. O farelo de soja registra valorização de 2,3% nos últimos sete dias. A média mensal de abril foi de US$ 358,08 por tonelada, avanços de 2,6% sobre a de março e de 11,3% frente a abril/25, sendo a maior desde julho/24. No Brasil, a colheita alcançou 92,1% da área, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), embora persistam diferenças regionais relevantes.
Na Região Sul, os trabalhos seguem mais lentos: Santa Catarina atingiu 71% e o Rio Grande do Sul, 65%, ambos abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o ritmo permanece heterogêneo. Tocantins praticamente concluiu a atividade, com 98% da área já colhida, enquanto Maranhão (65%) e Bahia (90%) apresentam atraso em relação à safra anterior. No Piauí, os trabalhos alcançam 96%, desempenho próximo ao do mesmo período de 2025. Na Argentina, chuvas pontuais nas principais regiões interrompem temporariamente a colheita e mantêm o ritmo irregular. Nos Estados Unidos, a recente chuva no Meio Oeste trouxe alívio climático, mas limitou temporariamente as atividades de campo. Ainda assim, a semeadura atingiu 23% da área projetada para a safra 2026/27 até 26 de abril, superando o ano passado e a média dos últimos cinco anos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.