28/04/2026 - 16h23m
Preços do açúcar tem leve queda ( sem sobre salto ) por conta do aumento da oferta. Charbel Felipe
Açúcar: preços recuam com demanda enfraquecida
O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal mantém o movimento de baixa, com exceção da alta (pontual, apesar de intensa) observada na sexta-feira (24/04). O Indicador tem média de R$ 98,54 por saca de 50 Kg, recuo de 2,13% nos últimos sete dias (R$ 100,68 por saca de 50 Kg). De modo geral, a liquidez permanece baixa no mercado spot, refletindo a postura mais cautelosa dos agentes. O feriado de Tiradentes (21/04), também pode ter ajudado a reduzir a movimentação na semana passada. Do lado da demanda, os compradores permanecem afastados das negociações, com expectativa de novas quedas nos preços diante do avanço da safra 2026/27 e da ampliação gradual da oferta. Pelo lado da produção, o aumento da moagem nas usinas reforça a percepção de maior disponibilidade no curto prazo.
No cenário internacional, por outro lado, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York apresentam leve alta nos últimos sete dias. Dentre os principais fatores de sustentação está o aumento das importações chinesas. De acordo com a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC), o país importou cerca de 100 mil toneladas de açúcar em março de 2026, volume 41,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, as compras chinesas somaram 620 mil toneladas, avanço expressivo de 320% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o Brasil embarcou pouco mais de 40 mil toneladas de açúcar para a China no último mês, o que representa aproximadamente 40% do total adquirido pelo país asiático no período.
As condições climáticas também exerceram influência positiva sobre os preços externos. A possibilidade de um episódio de El Niño em intensidade elevada entre maio e junho no Centro-Sul do Brasil levou agentes de mercado a revisarem suas expectativas. A consultoria global Czarnikow, por exemplo, reduziu a projeção de superávit na produção mundial de açúcar de 3,4 milhões para 1,1 milhão de toneladas na safra 2026/27. No Centro-Sul do Brasil, o El Niño pode resultar em temperaturas mais elevadas, acompanhadas pelo aumento no volume de chuvas em algumas regiões, cenário que permanece no radar dos participantes do mercado, pois pode reduzir a produção brasileira. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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