06/04/2026 - 09h34m
Oleo de soja segue firme ,descolado da soja pressionados no mercado doméstico. Charbel Felipe
Preços da soja pressionados no mercado doméstico
As cotações externas da soja são pressionadas pela maior oferta na América do Sul e expectativas de expansão da área nos Estados Unidos. A baixa no mercado internacional foi repassada ao Brasil e acabou sendo intensificada pela desvalorização do dólar frente ao Real. Esse contexto reduziu as negociações. Vale lembrar que, até então, os valores da soja estavam firmes, sustentados pelo conflito no Oriente Médio e pela valorização significativa do óleo de soja. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,9%, cotado a R$ 127,91 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1,2% nos últimos sete dias, a R$ 122,49 por saca de 60 Kg. Entre as médias de fevereiro e março, foram registradas altas, de 2,4% e 1,9%, nesta ordem.
Nos últimos sete dias, os preços registram recuo de 0,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,7% no mercado de lotes (negociação entre empresas). De fevereiro para março, as médias mensais subiram 1% em ambos os mercados. No mercado externo, a queda está associada às estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgadas no dia 31 de março, que apontaram a área de soja em 34,28 milhões de hectares para a safra 2026/27 nos Estados Unidos, aumento de 4,3% em relação à safra anterior (32,87 milhões de hectares). O USDA também estimou estoques em 57,29 milhões de toneladas até 1º de março, volume 10,2% superior ao observado no mesmo período de 2025. Ainda assim, como o mercado esperava uma expansão de área maior e estoques menores, as quedas foram limitadas.
Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 da soja em grão apresenta recuo de 0,4% nos últimos sete dias. Contudo, a média de março do primeiro vencimento, de US$ 11,70 por bushel, subiu 4,2% em relação à de fevereiro e 16,5% em relação à de março/25, sendo também o maior desde junho/24. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 74,3% da área cultivada com soja havia sido colhida até 28 de março. Embora o percentual esteja abaixo dos 81,4% registrados no mesmo período do ano passado, segue acima da média dos últimos cinco anos (72,4%). Entre os Estados, Mato Grosso está com a colheita praticamente finalizada (98,9%). Mato Grosso do Sul e Goiás também avançam para a conclusão dos trabalhos, com 89% das respectivas áreas colhidas. No Paraná, a colheita atingiu 82%, já encerrada na região oeste.
Na Argentina, a colheita foi iniciada. De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, as chuvas favoreceram as lavouras de cultivo tardio, mas o excesso de umidade tem dificultado o avanço das atividades. Os preços do óleo de soja seguem em alta no Brasil, operando nos patamares de novembro do ano passado, impulsionados pela demanda aquecida para a produção de biodiesel. O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) tem alta de 2,1% nos últimos sete dias, a R$ 7.055,26 por tonelada. Em março, a média foi de R$ 6.695,10 por tonelada, com avanços de 3,6% frente à média de fevereiro e de 2,2% em relação à de março/25, sendo também a maior desde novembro/25, em termos reais (IGP-DI, fevereiro/26). Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento do óleo de soja registra recuou de 1,3% nos últimos sete dias. Ainda assim, em março, houve fortes altas de 14,1% em relação ao mês anterior e de 55,1% em um ano, com média de US$ 1.452,48 por tonelada, a maior média nominal desde agosto/23.
Com base nos preços futuros da soja, do farelo e do óleo na Bosa de Chicago, o óleo passou a representar 50,7% da margem total da indústria (crush margin), ainda superando o farelo, principal coproduto em volume. Os preços do farelo de soja continuam em queda no mercado nacional. Os consumidores indicam estoques suficientes até meados de abril e não demonstram necessidade de novas aquisições no curto prazo. A expectativa desses agentes é de preços mais baixos nas próximas semanas, considerando que a maior demanda por óleo pode elevar a disponibilidade de farelo. Vale lembrar que, para cada tonelada de soja processada, são gerados cerca de 190 Kg de óleo e 780 Kg de farelo. Nos últimos sete dias, o farelo se desvalorizou 1,3%. Em março, a média mensal ficou 1,4% inferior à de fevereiro e 3,4% abaixo da de março/25, em termos reais. No mercado externo, o contrato Maio/26 do farelo de soja negociado na Bolsa de Chicago apresenta baixa de 1,2% nos últimos sete dias. Na média de março, o primeiro vencimento foi de US$ 348,93 por tonelada, altas de 3,6% em relação ao mês anterior e de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.