30/03/2026 - 09h44m
Preços da soja avançam acompanhando derivado, em especial o Oleo . Charbel Felipe
Preços da soja avançam acompanhando derivado
A valorização do óleo de soja, impulsionada por expectativas de aumento na demanda por biodiesel e por incertezas no abastecimento global de combustíveis (devido às tensões no Oriente Médio e à valorização do petróleo), sustentam os preços da soja. Mesmo assim, as margens de esmagamento avançam no Brasil e no exterior. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 do óleo de soja registra alta de 4% nos últimos sete dias, cotado a US$ 1.499,57 por tonelada, o maior valor nominal desde 18 de agosto de 2023, considerando-se o primeiro vencimento. Esse movimento externo elevou os preços FOB do óleo de soja no Brasil, embora de forma limitada devido ao enfraquecimento dos prêmios de exportação. No mercado interno, as indústrias continuam atentas ao aumento da mistura obrigatória de biodiesel de B15 para B16, decisão prevista inicialmente para 1º de março, mas que ainda não foi implementada. Esse cenário tem limitado a elevação das cotações domésticas.
Os preços do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) apresentam alta de 3% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.907,49 por tonelada. Ressalta-se que, na terça-feira (24/03), o valor do óleo atingiu R$ 6.953,38 por tonelada, o maior desde 1º de dezembro do ano passado, quando era negociado acima de R$ 7.000,00 por tonelada, reforçando o atual patamar elevado das cotações. A valorização do óleo de soja sustenta as cotações do grão. Ao mesmo tempo, a alta do dólar em relação ao Real aumenta a competitividade do produto nacional no mercado externo, incentivando as exportações brasileiras em detrimento das dos Estados Unidos. Esse cenário eleva os prêmios de exportação no Brasil e impulsiona os preços internos. Assim, os sojicultores aproveitaram o momento para negociar parte da produção recém-colhida. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 0,8%, cotado a R$ 130,37 por saca de 60 Kg.
A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 1,1% nos últimos sete dias, a R$ 123,92 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 1,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,5% no mercado de lotes (negociação entre empresas). A demanda por farelo de soja brasileiro também está mais aquecida, tanto por compradores domésticos quanto externos. Nos últimos sete dias, o aumento nos valores é de 1,2%. No mercado internacional, o contrato Maio/26 da soja em grão na Bolsa de Chicago tem alta de 0,4% nos últimos sete dias, a US$ 11,73 por bushel; enquanto o mesmo vencimento do farelo de soja registra recuo de 3,1%, para US$ 355,05 por tonelada. Nesse contexto, com base nos preços futuros da soja, do farelo e do óleo na Bolsa de Chicago, a crush margin é calculada em US$ 130,59 por tonelada, o maior valor desde 1º de setembro de 2023.
O avanço está atrelado à maior participação do óleo de soja, que passou a representar 50,7% da margem total, superando o farelo, embora este seja o principal coproduto em volume. Vale destacar que, para cada tonelada de soja processada, são gerados 780 quilos de farelo e aproximadamente 190 quilos de óleo. No mercado brasileiro, considerando-se os preços da soja, do farelo e do óleo em São Paulo, a margem bruta de esmagamento apresenta avanço de 1,7% nos últimos sete doas, atingindo R$ 664,58 por tonelada. Ainda assim, o retorno sobre o custo da soja recuou de 35,2% para 34,7% no período, indicando leve compressão relativa da rentabilidade. Com clima favorável, a colheita da soja avançou significativamente no Brasil nos últimos dias. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área colhida atingiu 67,7% do total até 21 de março, avanço de 8,5% na semana. Na Região Centro-Oeste, os trabalhos estão na reta final: Mato Grosso alcançou 98,3% da área colhida e Mato Grosso do Sul, 87%, ambos em linha com o observado no mesmo período do ano passado.
Em Goiás, a colheita chegou a 77%, abaixo dos 90% registrados há um ano. Na Região Sudeste, o ritmo segue mais lento, com São Paulo atingindo 62% e Minas Gerais, 64%, ambos abaixo dos 97% e 86% verificados no mesmo período da safra anterior. Esse desempenho reforça a heterogeneidade regional no avanço da colheita. Na Região Sul, o Paraná lidera com 70% da área colhida, ainda inferior aos 81% de um ano atrás, enquanto Santa Catarina avançou para 25,4%, frente aos 45% no mesmo período de 2025. No Rio Grande do Sul, houve aceleração dos trabalhos, com forte avanço de 2% para 13% em uma semana, embora ainda abaixo dos 19% registrados no ano passado. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a colheita alcançou 34% no Maranhão, 68% no Tocantins, 36% no Piauí e 55% na Bahia, todos abaixo dos níveis observados há um ano. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.