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Preços da soja pressionados no mercado doméstico 

23/03/2026 - 09h27m

Preços da soja pressionados no mercado doméstico 

Preços da soja pressionados no mercado doméstico 

A margem de esmagamento (“crush margin”) da indústria está sendo impulsionada tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, sobretudo pela valorização dos derivados. No mercado nacional, além do menor custo da matéria-prima (soja em grão), o avanço da margem reflete o aumento no preço do óleo de soja. Vale lembrar que a demanda por óleo de soja por parte das indústrias de biodiesel está aquecida atualmente, diante de preocupações relacionadas ao abastecimento de combustíveis e de rumores de paralisações no transporte rodoviário. Os preços do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registram alta de 2,3% nos últimos sete dias, com a média atingindo R$ 6.706,80 por tonelada. Para o farelo de soja, o valor se mantém estável (-0,2%) no mesmo período, o que, por sua vez, se deve à valorização dos prêmios de exportação no Brasil.

Considerando-se os preços da soja, do farelo e do óleo em São Paulo, a margem bruta de esmagamento tem avanço de 9,8% nos últimos sete dias, a R$ 635,56 por tonelada. No dia 17 de março, especificamente, a margem atingiu R$ 714,32 por tonelada, a maior desde 20 de agosto de 2024. A participação do óleo na composição da margem é a mais elevada desde 5 de dezembro do ano passado, ampliando o retorno sobre o custo da soja de 31,4% no dia 12 de março para 35,2% no dia 19 de março. Nos Estados Unidos, o avanço na margem é influenciado pelo farelo de soja, que voltou a operar nos maiores patamares desde 2024 (primeiro vencimento negociado na Bolsa de Chicago), sustentado pela forte demanda global. O contrato Maio/2025 registra valorização de 3,8% nos últimos sete dias, atingindo US$ 366,51 por tonelada, o maior desde 3 de outubro de 2024.

Em contrapartida, para o óleo, após o derivado ter atingido, em 13 de março, patamar recorde para o contrato Maio/2026 e, com base na série de primeiro vencimento, o maior desde agosto de 2023, os preços estão pressionados, refletindo também as cotações do grão. Assim, o contrato Maio/2026 do óleo de soja registra recuo de 3% nos últimos sete dias, cotado a US$ 1.442,03 por tonelada. Para a soja em grão, o vencimento Maio/2026 registra queda de expressivos 4,8% nos últimos sete dias, a US$ 11,68 por bushel. Com base nesses contratos negociados na Bolsa de Chicago, a crush margin nos Estados Unidos tem avanço de 17% nos últimos sete dias, atingindo US$ 130,52 por tonelada, a maior desde 1º de setembro de 2023. A participação do farelo voltou a superar a do óleo, atingindo 51,1% no dia 19 de março.

O retorno sobre o custo da soja passou de 25% para 30,4% no período, o maior desde 14 de agosto de 2023. A pressão sobre os valores da soja no Brasil está associada às desvalorizações do mercado externo e do câmbio, fatores que reduzem a competitividade da oleaginosa nacional no mercado externo. Além disso, o avanço da colheita no País, as condições climáticas favoráveis na Argentina e as expectativas de aumento de área nos Estados Unidos reforçam o viés de baixa. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,1%, cotado a R$ 129,38 por saca de 60 Kg.

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,3% nos últimos sete dias, a R$ 122,56 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços registram recuo de 1,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,2% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Ressalta-se que o movimento de queda é limitado pela postura cautelosa dos produtores, que têm priorizado o armazenamento da soja recém-colhida, diante das incertezas relacionadas ao frete rodoviário e ao cenário geopolítico. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 14 de março, 59,2% da área nacional de soja havia sido colhida, abaixo dos 69,8% registrados no mesmo período de 2025, em razão de adversidades climáticas.

Em Mato Grosso, a colheita atingiu 96,4% da área, próxima aos 96,6% de um ano antes. Em Mato Grosso do Sul, o índice é de 68% (ante 80% em 2025), e em Goiás, de 70% (82% no ano anterior). Em Minas Gerais, os trabalhos alcançam 52% da área, 23% abaixo de 2025. Em São Paulo, a colheita soma 50%, bem inferior aos 95% do ano passado. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Maranhão registra 23% da área colhida (52% em 2025); a Bahia, 45%; o Piauí, 26% (32% no ano anterior); e Tocantins, 58% (70% em 2025). O Paraná alcança 60% da área colhida (contra 72% há um ano), Santa Catarina, 21,1% (35%), e o Rio Grande do Sul iniciou a colheita na semana passada, com 2% da área, frente a 10% no mesmo período de 2025. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.