10/03/2026 - 10h13m
Petróleo puxa alta de etanol e açúcar, mas incertezas dominam a indústria
Petróleo puxa alta de etanol e açúcar, mas incertezas dominam a indústria
Entre agentes de mercado, expectativa é de que conflito no Oriente Médio leve Petrobras a reajustar gasolina, o que evitaria a queda de preços na nova safra
Ontem, depois que o preço do barril do petróleo rompeu a barreira de US$ 100, ganhou corpo entre agentes da indústria sucroenergética a leitura de que a Petrobras poderia reajustar o preço da gasolina, o que deu sustentação ao etanol no mercado interno e ao açúcar no front internacional. Porém, as perspectivas para esses mercados ainda são turvas dadas as declarações erráticas do presidente americano Donald Trump sobre o conflito no Oriente Médio, deflagrado após Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, há pouco mais de uma semana.
Por ora, analistas dizem que o choque decorrente do conflito pode impedir que os preços de etanol e açúcar caiam nos próximos meses. Esse movimento das cotações iria no sentido oposto das expectativas iniciais.
O açúcar também reagiu ontem. Os contratos do demerara que vencem maio subiram 3,48% na bolsa de Nova York, a 14,59 centavos de dólar a libra-peso.
Para analistas, ainda é cedo para estimar o efeito no médio e longo prazos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados de açúcar e etanol, uma vez que ainda não se sabe quando, e se, a Petrobras reajustará a gasolina. Se a estatal fizer alguma alteração, no mínimo isso deve impedir uma queda mais significativa do etanol nos próximos meses, como se esperava.
“Com o preço do petróleo a US$ 100, se a Petrobras fizer o repasse integral, isso praticamente anularia toda a queda que prevíamos [para o preço do etanol na safra]”, disse Cristian Quiles, analista da consultoria FG/A. Em suas projeções, se a Petrobras repassasse o US$ 100 por barril ao mercado interno, o preço da gasolina A, às distribuidoras, subiria cerca de R$ 1 o litro, e o efeito no preço médio do etanol hidratado da safra 2026/27 seria de uma alta de R$ 0,50 o litro.
Já as cotações do açúcar só reagiram ontem, após mais de uma semana de conflito. Para o analista da StoneX, o preço do açúcar deve se guiar pelo tamanho da safra de cana de 2026/27 no Centro-Sul e pelo mix — que, a princípio, deve ser menos açucareiro. “Se o etanol remunerar mais, o mix tende a ser menos açucareiro”, disse.
“Não é uma volatilidade qualquer”, afirmou Tarcilo Rodrigues, sócio da Bioagência. Para ele, ainda que o cenário mude, “dificilmente” os preços do petróleo voltarão para onde estavam devido ao “prêmio de risco” — há um mês, o Brent estava em US$ 70 o barril.
Fonte : VALOR Economico