23/02/2026 - 09h26m
Preços da soja avançam no mercado doméstico
Preços da soja avançam no mercado doméstico
Os preços internos da soja estão em alta, influenciados pela maior demanda internacional, pela postura cautelosa de produtores brasileiros diante das incertezas climáticas e pela valorização do complexo soja no mercado externo. Mesmo com expectativas de oferta global elevada, os compradores externos seguem ativos, atraídos pelos menores prêmios de exportação no Brasil. Do lado vendedor, os produtores brasileiros, especialmente os da Região Sul do País, mantêm cautela nas negociações, devido à irregularidade das chuvas. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 2,3%, cotado a R$ 129,06 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,7% nos últimos sete dias, a R$ 121,25 por saca de 60 Kg.
Nos últimos sete dias, os valores apresentam alta de 0,4% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,6% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 2,69 milhões de toneladas de soja na parcial deste mês (até o dia 13), volume 43,5% superior ao total escoado em janeiro/2026. Ainda assim, os embarques diários permanecem 16,2% abaixo da média diária registrada em fevereiro/2025. Para os derivados, as negociações seguem lentas, embora agentes sinalizem maior interesse, sobretudo por óleo de soja, para recebimento a partir de março. Nesse contexto, o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra desvalorização de 0,8% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.420,58 por tonelada. O preço do farelo de soja tem leve alta de 0,1% no mesmo comparativo.
No campo, há relatos de redução de produtividade em áreas afetadas pela estiagem. Por outro lado, as chuvas recentes favorecem as lavouras ainda em desenvolvimento no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 14 de fevereiro, a colheita nacional de soja atingia 24,7% da área, abaixo dos 25,5% registrados no mesmo período do ano passado e dos 27,1% da média dos últimos cinco anos. O ritmo está mais lento em diversos Estados: Paraná (20% da área colhida, frente a 33% há um ano e 22,4% na média quinquenal), Minas Gerais (17%, ante 20% e 19,6%), Mato Grosso do Sul (16%, contra 22% e 21,2%), Goiás (7%, frente a 24% e 20,8%) e São Paulo (4%, ante 6% e 12%). Em Santa Catarina, a colheita atingia 2%, abaixo dos 3,9% do ano passado e dos 5,4% da média; no Maranhão, 3%, inferior aos 10% da safra anterior e aos 9,3% da média; e em Tocantins, 30%, abaixo dos 35% de um ano atrás, mas acima dos 29% da média quinquenal.
Por outro lado, os trabalhos estão mais avançados em Mato Grosso, com 60,7% da área colhida, acima dos 47,3% da safra passada e dos 59,9% da média dos últimos cinco anos; na Bahia, com 12%, 2% acima do ano anterior; e no Piauí, com 3%, superior ao 1% observado há um ano, embora abaixo da média quinquenal de 5,6%. Os preços internacionais da oleaginosa também estão em alta, impulsionados pela forte valorização do óleo de soja. O coproduto, por sua vez, foi influenciado pela alta no preço do petróleo, fator que reforça o incentivo à mistura de biodiesel com diesel, tendo o óleo de soja como principal matéria-prima. O contrato Março/2026 da soja negociado na Bolsa de Chicago está cotado a US$ 11,41 por bushel, alta de 0,3% nos últimos sete dias e o maior patamar para o primeiro vencimento desde 18 de novembro de 2025.
O contrato Março/2026 do óleo de soja registra avanço de expressivos 3,7% nos últimos sete dias, para US$ 1.315,71 por tonelada, maior valor nominal desde outubro de 2023, refletindo também expectativas de crescimento no incentivo do governo norte-americano à produção de biodiesel. O contrato Março/2026 do farelo de soja tem recuo de 1% no mesmo período, para US$ 335,98 por tonelada, movimento associado ao avanço do óleo, que tende a estimular o esmagamento e ampliar a oferta de farelo. Os primeiros dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a temporada 2026/2027, divulgados no dia 19 de fevereiro, indicam expansão da área cultivada com soja nos Estados Unidos para cerca de 34,4 milhões de hectares, alta de 4,7% em relação ao ano anterior.
A produtividade é estimada em 3.560 Kg por hectare, praticamente estável, resultando em produção próxima de 121 milhões de toneladas, avanço de 4,4%. O processamento doméstico deve crescer 3,3%, impulsionado pela demanda por óleo destinado aos biocombustíveis. As exportações norte-americanas tendem a se recuperar, para 46,3 milhões de toneladas, alta de 7,9%, embora ainda estejam sob forte concorrência com a soja sul-americana. Os estoques finais são projetados em cerca de 9,7 milhões de toneladas, acima do ciclo anterior (+1,4%), mantendo a relação estoque/uso próxima de 8%. O preço médio a ser recebido pelo produtor norte-americano foi estimado em US$ 10,30 por bushel para a temporada 2026/2027, avanço marginal de 1%, indicando equilíbrio entre a expansão da oferta e a demanda doméstica crescente. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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