10/02/2026 - 12h00m
Preços do açúcar empacotado segue calmo, um pouco descolado da Esalq . Estoque em MG até a safra ,maio ( abril etanol ) são normais. Charbel Felipe
Açúcar: indicador cai ao menor nível desde 2019
Os preços do açúcar cristal branco seguem em trajetória de queda no mercado spot paulista. Entre 2 e 6 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou média de R$ 103,46 por saca de 50 kg, recuo de 1,31% em relação à semana anterior (R$ 104,83/sc). Em termos reais, deflacionados pelo IGP-DI, esse é o menor patamar desde setembro de 2019, quando a média havia sido de R$ 97,96/sc.
Dentro do período, o Indicador CEPEA/ESALQ chegou a R$ 100,63/sc, nível que não era observado desde outubro de 2020 em termos nominais, reforçando o viés baixista do mercado doméstico.
A continuidade da pressão sobre os preços esteve associada principalmente à maior participação de açúcar cristal branco com coloração mais elevada, de até 180 Icumsa, nas negociações. Esse movimento reduziu o preço médio do mercado spot, refletindo alteração na qualidade dos lotes comercializados, e não uma desaceleração da demanda.
No mercado internacional, os contratos do açúcar demerara permaneceram pressionados diante da expectativa de oferta global elevada. O contrato Março/26 na ICE Futures US encerrou o período a 14,11 centavos de dólar por libra-peso, o menor nível em cerca de três meses.
O cenário externo também foi influenciado por dados de produção no Centro-Sul do Brasil. Na safra 2025/26, a produção acumulada de açúcar atingiu 40,24 milhões de toneladas, avanço de 0,86% em relação ao ciclo anterior, mesmo com moagem de cana inferior no período. Paralelamente, analistas internacionais seguem projetando superávits globais nas próximas temporadas.
Em Londres, o contrato Março/2026 do açúcar refinado encerrou cotado a US$ 404,40 por tonelada, queda de 0,17% na comparação semanal.
Na análise de paridade, enquanto a média semanal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 103,46/sc, a média equivalente do contrato nº 11 da ICE Futures (Março/26) ficou em R$ 98,40/sc. Com isso, o mercado spot paulista remunerou 5,15% acima das vendas externas. Para o cálculo, foram considerados custos de US$ 63,65/t de fobização, US$ 96,38/t de prêmio de qualidade e câmbio médio de R$ 5,2460.
No mercado interno de produtos industrializados, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 12,9775 por saca de 5 kg, baixa de 0,44% em relação ao período anterior. Já o açúcar refinado amorfo foi cotado a R$ 3,0564 por saca de 1 kg, avanço de 0,10%.
No Nordeste, algumas usinas promoveram pequenos reajustes positivos ao longo do período, mas o volume negociado permaneceu reduzido, evidenciando postura cautelosa dos compradores e oferta mais restrita dos vendedores.
Na Paraíba, a safra 2025/26 começou com moagem acumulada de 5,24 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na primeira quinzena de janeiro, queda de 3,6% frente ao mesmo período da safra anterior. A produção de açúcar somou 179,2 mil toneladas, retração de 27,2%, influenciada principalmente pela forte redução do açúcar VHP, parcialmente compensada pelo aumento do cristal e do demerara, indicando ajuste no mix produtivo.
No campo institucional, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, ainda em fase de ratificação, é avaliado como positivo para o setor sucroenergético do Nordeste. A expectativa é de ganhos de competitividade, sustentados por cotas de importação de açúcar e etanol com tarifas reduzidas, além de vantagens logísticas da região, como menor custo portuário e proximidade com os mercados europeu e africano.
Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.