03/02/2026 - 08h50m
Inicio da safra da soja pressiona os preços ,mas o óleo pode ter comportamento diferente por conta demanda do biodiesel e consumo humano. Charbel Felipe
Preços da soja estão em baixa no mercado interno
Mesmo com o avanço da colheita de soja nas principais regiões produtoras do Brasil, parte relevante das indústrias esmagadoras realiza paradas estratégicas para manutenção, contexto que vem reduzindo a oferta de derivados no spot nacional. No caso do farelo, especificamente, a demanda está aquecida, o que vem elevando os valores de negociação do derivado e, consequentemente, o retorno financeiro das indústrias em relação ao custo da soja. Embora consumidores domésticos tenham operado com volumes elevados de farelo nas semanas anteriores, muitos precisaram repor estoques nestes últimos dias. Como a oferta do derivado está limitada, há intensificação na disputa entre compradores, o que impulsiona os prêmios de exportação. O avanço no preço do farelo de soja é de 1,4% nos últimos sete dias. A média de janeiro ficou 1,1% acima da de dezembro, mas 9,9% abaixo da de janeiro/2025, em termos reais. Para o óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%), os preços registram recuo de 2,1% nos últimos sete dias.
A média de janeiro ficou 1,1% abaixo da de dezembro e 2,8% inferior à de janeiro/2025, também em termos reais. Neste caso, a desvalorização se deve à demanda enfraquecida por parte da indústria alimentícia e do setor de biodiesel. Ressalta-se que esse movimento limita parcialmente o avanço da margem de esmagamento. Ainda assim, cálculos mostram que, considerando-se os valores da soja em grão, do farelo e do óleo no estado de São Paulo, a crush margin é de R$ 649,07 por tonelada, expressiva alta de 22,82% nos últimos sete dias e 27,32% acima da de período equivalente do ano passado. Com isso, o retorno financeiro das indústrias em relação ao custo da soja atingiu 34,2%, o maior patamar desde 22 de agosto de 2024. A queda nos preços da soja também contribui para o maior retorno financeiro das indústrias. A desvalorização do grão está associada às expectativas de oferta recorde no Brasil, à demanda doméstica enfraquecida e à valorização do Real frente ao dólar.
A moeda norte-americana voltou a ser negociada nos patamares mais baixos desde 28 de maio de 2024. Esse movimento cambial reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, afastando parte dos demandantes internacionais em favor da soja norte-americana. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá (PR), apresenta recuo de 3,2%, cotado a R$ 125,25 por saca de 60 Kg. A média de janeiro foi de R$ 131,29 por saca de 60 Kg, 7,6% abaixo da média de dezembro/2025 e a menor desde março/2025, em termos reais. Na comparação anual, observa-se baixa de 1,2%. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 2,9% nos últimos sete dias, a R$ 119,59 por saca de 60 Kg. A média deste Indicador em janeiro/2026 foi de R$ 125,36 por saca de 60 Kg, com quedas de 7,6% frente à de dezembro/2025 e de 2% em relação à de janeiro/2025 e a menor desde fevereiro/2025, em termos reais.
Nos últimos sete dias, os preços registram recuo de 2,4% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 3,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). De dezembro/2025 a janeiro/2026, as quedas acumuladas são de 4,2% no mercado balcão e de 6,2% no mercado de lotes. As atividades de campo avançam gradualmente no Brasil. No entanto, os níveis de umidade do solo permanecem abaixo do ideal em áreas da Região Sul, especialmente em lavouras semeadas mais tardiamente, mantendo os produtores em estado de alerta. As previsões indicam chuvas mais abrangentes nos próximos dias, que, se confirmadas, tendem a melhorar o balanço hídrico e trazer alívio às lavouras. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da soja atingiu 6,6% da área nacional até 24 de janeiro, acima dos 3,2% observados no mesmo período da safra passada. Mato Grosso segue liderando os trabalhos, com 19,7% da área colhida, contra 3,6% há um ano. Em Minas Gerais, a colheita chegou a 6%, em linha com o registrado na temporada anterior. Em Mato Grosso do Sul, o avanço é de 2%, abaixo dos 4% de um ano atrás; e, no Paraná, de 3%, também inferior aos 10% observados no mesmo período da safra passada.
A recente desvalorização do dólar sustenta os preços da soja na Bolsa de Chicago. No entanto, a média de janeiro ficou abaixo da de dezembro, diante das incertezas de compra da China e das expectativas de oferta ampla na América do Sul. A média de janeiro para o primeiro vencimento da soja, de US$ 10,52 bushel, caiu 2,3% em relação à de dezembro/2025, mas subiu 2,2% frente à média de janeiro/2025. Para o farelo, o contrato de primeiro vencimento cedeu 2,5% tanto na comparação mensal quanto na anual, com a média a US$ 324,37 por tonelada em janeiro. O contrato de primeiro vencimento do óleo de soja apresentou média de US$ 1.139,86 por tonelada em janeiro, com altas de 4% frente à do mês anterior e de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A valorização do coproduto está relacionada às expectativas de que o governo dos Estados Unidos anuncie políticas mais favoráveis aos biocombustíveis. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio