19/01/2026 - 09h35m
Preços da soja em baixa no mercado doméstico
Preços da soja em baixa no mercado doméstico
A liquidez está maior nos últimos dias no mercado spot brasileiro de soja. Cooperativas e cerealistas têm encorajado produtores a negociarem o remanescente da safra passada, com o objetivo de abrir espaço para a entrada da nova safra no País. Esse cenário e as perspectivas de oferta elevada vêm pressionando as cotações domésticas. Vale destacar que, em relatório divulgado no dia 15 de janeiro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou o estoque inicial da safra 2025/2026 para 10,73 milhões de toneladas. O volume é 2,9% superior ao indicado em dezembro/2025 e fortes 48,4% acima do registrado há um ano. Nesse contexto, sobretudo em regiões onde a colheita já teve início, como Paraná, Mato Grosso, São Paulo e Bahia, agentes observam disparidade entre os preços ofertados para entrega imediata (no dia da negociação) e os de entrega em até sete dias após o fechamento do negócio. Embora ambas as modalidades se enquadrem no mercado spot, os compradores que podem aguardar alguns dias para o recebimento tendem a adquirir os lotes a preços menores.
Apesar de as estimativas da Conab indicarem menor produtividade da soja em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina, a produção nacional segue projetada no recorde de 176,12 milhões de toneladas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por sua vez, mostra-se ainda mais otimista para a nova temporada no Brasil, estimando a safra em 178 milhões de toneladas, 1,7% acima do relatório anterior e 3,8% maior que a produção da safra passada. Esse cenário de ampla oferta pressiona as cotações da oleaginosa no mercado interno. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 2,2%, cotado a R$ 131,60 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 2,8% nos últimos sete dias, a R$ 124,38 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as quedas são de 1,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2% no mercado de lotes (negociações entre empresas).
A retração dos preços domésticos, por sua vez, foi parcialmente limitada pela valorização dos prêmios de exportação no Brasil. Além de refletirem uma correção diante da desvalorização externa, os prêmios também incorporam expectativas de maior demanda. Segundo o USDA, o consumo nacional deve atingir o recorde de 60 milhões de toneladas, enquanto as exportações brasileiras são projetadas em 114 milhões de toneladas na safra 2025/2026 (de outubro/2025 a setembro/2026), também recorde. As negociações de farelo e de óleo de soja seguem em ritmo lento no mercado interno. Consumidores de óleo de soja relatam baixa disponibilidade no spot nacional; contudo, não indicam necessidade de compras no curto prazo. Grande parte dos consumidores de farelo, por sua vez, mostra-se abastecida para o médio e o longo prazos, reduzindo o interesse por novas aquisições no spot. Nesse cenário, o preço do farelo de soja registra recuo de 0,3% nos últimos sete dias.
Quanto ao óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), há leve alta de 0,2% no mesmo comparativo, com média de R$ 6.419,28 por tonelada, movimento influenciado pela valorização externa. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2026 do óleo de soja tem avanço de expressivos 7,1% nos últimos sete dias, negociado a US$ 1.167,78 por tonelada. O movimento está atrelado às expectativas de divulgação de novas metas do governo dos Estados Unidos para a produção de biocombustíveis, considerando que o óleo de soja é a principal matéria-prima utilizada na fabricação de biodiesel. Em contrapartida, o USDA revisou para baixo o consumo do derivado nos Estados Unidos, estimado agora em 13,2 milhões de toneladas, 1,85% inferior ao previsto anteriormente, embora ainda em patamar recorde. O contrato Março/2026 de farelo de soja apresenta recuo de 4,7% nos últimos sete dias, negociado a US$ 318,79 por tonelada. A desvalorização reflete as expectativas de maior demanda por óleo de soja, o que tende a estimular o processamento do grão, estimado no volume recorde de 69,94 milhões de toneladas, 0,6% acima da estimativa anterior.
As perdas, no entanto, são limitadas pelas projeções de aumento das exportações do farelo norte-americano, projetadas em 17,59 milhões de toneladas, 3,3% acima do indicado em dezembro de 2025 e 4,9% mais que na temporada passada. Os preços futuros da soja em grão também recuaram, devido ao ajuste da safra 2025/2026 nos Estados Unidos, colhida entre setembro e novembro do ano passado. Segundo o USDA, a produção norte-americana foi estimada em 115,98 milhões de toneladas, 0,21% acima do indicado no relatório anterior. Além disso, as exportações de soja dos Estados Unidos devem somar apenas 42,86 milhões de toneladas, quedas de 3,7% em relação ao relatório anterior e de 16,3% sobre a safra passada, e o menor volume desde a temporada 2012/2013. Com isso, na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2026 da oleaginosa tem queda de 0,8% nos últimos sete dias, a US$ 10,53 por bushel. O movimento de baixa, contudo, foi limitado por notícias de novas compras de soja dos Estados Unidos pela China. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.