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Preços da soja pressionados no mercado doméstico

12/01/2026 - 08h33m

Preços da soja pressionados no mercado doméstico

Preços da soja pressionados no mercado doméstico

A colheita da soja 2025/2026 teve início na semana passada em áreas do norte de Mato Grosso e do oeste do Paraná, e a expectativa é de boa produtividade. As condições climáticas seguem predominantemente favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil, reforçando o otimismo quanto a uma safra recorde. Ainda assim, a liquidez no mercado doméstico está baixa, com produtores retraídos do spot, o que tem pressionado as cotações neste começo de ano. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta forte recuo de 4,5%, cotado a R$ 134,61 por saca de 60 Kg.

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda expressiva de 5,6% nos últimos sete dias, a R$ 128,00 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as quedas são de 2,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 4,7% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Ressalta-se que os valores atuais estão abaixo dos observados há um ano, em termos reais. Por outro lado, a firme demanda internacional pela soja brasileira e incertezas decorrentes de conflitos globais, além de manterem os produtores afastados do spot (local ) , sustentam os prêmios de exportação no País.

Com base no Porto de Paranaguá (PR) e no embarque em fevereiro/2026, os compradores indicam +US$ 0,45 por bushel, enquanto vendedores pedem +US$ 0,50 por bushel. Esses valores estão acima dos registrados há um ano, quando os prêmios eram de +US$ 0,15 por bushel para compradores e +US$ 0,18 por bushel para vendedores, e são os maiores para o período desde 2023. No que se refere às exportações, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o Brasil embarcou 3,38 milhões de toneladas de soja em dezembro/2025, volume 59,3% superior ao escoado em dezembro/2024. Esse avanço está atrelado, sobretudo, ao maior apetite chinês: apenas no último mês, foram destinadas à China 2,6 milhões de toneladas da oleaginosa, 83,8% a mais do que no mesmo período de 2024.

No acumulado de 2025, os embarques brasileiros somaram um volume recorde de 108,18 milhões de toneladas, superando as 106,97 milhões de toneladas estimadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no relatório de dezembro/2025. As negociações envolvendo farelo e óleo de soja também estão lentas neste começo de ano, com grande parte dos consumidores se mostrando abastecida para o médio prazo. Os preços do farelo de soja apresentam oscilações, mas, na média, observa-se um recuo de 0,4% nos últimos sete dias. Destaca-se que, embora a expectativa de maior consumo de óleo de soja continue a desafiar as indústrias, muitas se mostram otimistas com a possibilidade de as exportações de farelo seguirem apresentando bom desempenho em 2026.

Em dezembro/2025, o Brasil embarcou 2,02 milhões de toneladas de farelo de soja, volume recorde para o mês, segundo a Secex. No acumulado de 2025, os envios externos totalizaram 23,3 milhões de toneladas, também recorde, ainda que 1,3% abaixo da projeção da Conab. Os embarques de óleo de soja, por sua vez, somaram 45,3 mil toneladas em dezembro/2025, o menor volume desde fevereiro/2024 (22,61 mil toneladas), segundo dados da Secex. Apesar disso, no acumulado de 2025, o Brasil exportou 1,28 milhão de toneladas de óleo, 4% mais que em 2024, embora 8,2% abaixo do previsto pela Conab. No mercado interno, os preços do óleo de soja seguem pressionados pela demanda enfraquecida.

O óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) apresenta desvalorização de 0,5% nos últimos sete dias, com média de R$ 6.403,96 por tonelada. As quedas no mercado brasileiro são parcialmente limitadas pelo avanço nos preços externos. A alta internacional está associada a notícias indicando novas compras de soja dos Estados Unidos pela China e à valorização do petróleo, fator que tende a elevar o consumo de óleo de soja, principal matéria-prima do biodiesel. Além disso, a desvalorização do dólar frente a uma cesta de moedas estimula as exportações norte-americanas, reduzindo a competitividade relativa da soja brasileira.

Na Bolsa de Chicago, o contrato Janeiro/2026 da soja apresenta avanço de 1,6% nos últimos sete dias, a US$ 10,47 por bushel. Com base no mesmo contrato, os futuros do farelo e do óleo de soja têm alta de 2% no período, com respectivos fechamentos de US$ 331,13 por tonelada e de US$ 1.080,92 por tonelada. Conforme relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura da safra 2025/2026 na Argentina alcançou 88,3% da área total estimada, com avanço semanal de 6,3%. Das lavouras implantadas, 85% apresentam boas condições. Contudo, persistem excessos hídricos na região norte da área agrícola. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.