05/07/2024 - 11h54m
Arroz: governo e setor produtivo firmam acordo para monitorar preços e abastecimento
Arroz: governo e setor produtivo firmam acordo para monitorar preços e abastecimento
Em contrapartida, não haverá novos leilões para compra pública de cereal importado
O governo federal, o setor produtivo e a indústria firmaram um compromisso para monitorar os preços e o abastecimento do arroz branco longo tipo 1 nas regiões metropolitanas do país. A ideia é garantir que o produto chegue a custos acessíveis aos consumidores de todo o Brasil diante da situação de oferta e demanda ajustada e evitar sobressaltos nas gôndolas dos supermercados, principalmente à população mais pobre.
Em contrapartida, não haverá novos leilões para compra pública de arroz importado enquanto o cenário for de normalidade e se a atuação conjunta de governo e iniciativa privada surtir efeito. O governo, porém, mantém a possibilidade no radar já que a medida provisória que autoriza o pregão foi prorrogada até setembro.
O entendimento foi selado em reunião de duas horas na noite desta quarta-feira (3/7) em Brasília com a presença dos ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, e de representantes da Câmara Setorial do Arroz, da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) e da Associação Indústria Brasileira do Arroz (Abiarroz).
Um grupo de trabalho para o monitoramento do mercado será formado e coordenado pela Câmara Setorial do Arroz, fórum que congrega representantes de toda a cadeia, com reuniões periódicas. A Conab fará levantamentos de preços nas praças. Uma minuta de “protocolo de compromisso e responsabilidade” foi formulada, mas ainda não foi assinada entre o órgão e os ministérios.
Um dos compromissos assumidos pelo setor privado é garantir o abastecimento regular de arroz em todas as regiões metropolitanas, a preços justos e acessíveis.
Por parte dos produtores, haverá um estímulo e conscientização para manter a indústria abastecida constantemente. Isso significa fechar negócios continuamente, sem carregar estoques durante prazos mais longos à espera de alta na cotação, de forma a evitar oferta apertada e descolamentos de preços no varejo.
Já as empresas vão se comprometer a manter estoques estratégicos do produto nos centros consumidores, realizar operações de remoção e promoção do arroz para evitar a especulação de preços bem como buscar meios logísticos para otimizar a distribuição do cereal.
“Conseguimos convencer o governo e chegamos a um acordo de que tínhamos que trabalhar em conjunto, setor produtivo e setor público”, disse o presidente da Câmara Setorial do Arroz, Henrique Dornelles.
Segundo ele, houve uma “convergência” de que o setor público deveria dar condições e informações para que o setor privado, tanto agricultores quanto a indústria, possa estabelecer um regramento para que os preços não subam “de forma a não comprometer renda do trabalhador, do beneficiário do Bolsa Família”, contou o dirigente.
Levantamentos apresentados pela cadeia produtiva ao governo nas reuniões apontaram que os problemas de preços eram pontuais e que muitos não ocorreram em função das enchentes no Sul.
Dornelles contou que praças do Nordeste precisam de atenção especial. Em algumas, o preço mais alto é histórico, sem qualquer relação com a tragédia climática no Rio Grande do Sul. Em outras, houve sobressaltos grosseiros e até “desrespeitosos”, disse ele.
“O setor privado precisa melhorar seu trabalho, pois a concorrência não está chegando ali e os preços aumentam. Precisamos fazer um mea culpa nesses locais”, afirmou Dornelles. Ele indicou que pode ter havido alteração de alíquotas de ICMS com efeito no preço do arroz em alguma situação.
Fonte : VALOR Globo Rural