09/06/2026 - 09h31m
Açúcar: preços pressionados pela fraca demanda
Açúcar: preços pressionados pela fraca demanda
Em São Paulo, o mercado spot de açúcar cristal continua registrando baixa movimentação com compradores retraídos. Nesse contexto, a média do Indicador CEPEA/ESALQ, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 93,44 por saca de 50 Kg, queda de 0,13% nos últimos sete dias (R$ 93,57 por saca de 50 Kg). As cotações seguem pressionadas, refletindo o cenário de oferta abundante que tem marcado o início da safra 2026/27. Dados da Ministério da Agricultura (Mapa) revelaram que a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul cresceu 1,4% na primeira quinzena de maio frente ao mesmo período do ano anterior, com forte expansão na produção de etanol e recuo na do açúcar, confirmando a tendência de mix produtivo mais voltado ao biocombustível, já assinalada nas semanas anteriores. Ainda assim, o ritmo elevado de processamento mantém a oferta de açúcar em patamar confortável, sustentando o ambiente de preços pressionados no mercado interno.
No cenário internacional, os preços do açúcar demerara iniciaram a semana em alta na Bolsa de Nova York. As cotações foram sustentadas por preocupações climáticas, especialmente na Índia. O Departamento de Meteorologia da Índia previu que a monção de 2026 poderá ser enfraquecida pelos efeitos do El Niño, resultando no menor volume de precipitações dos últimos 11 anos. O cenário gera apreensão quanto ao potencial produtivo da próxima safra indiana (2026/27), uma vez que o país ocupa a posição de segundo maior produtor mundial de açúcar.
Além disso, no início da semana passada, os preços do petróleo no mercado internacional permaneceram em patamares elevados, próximos de US$ 99,00 por barril. Valores mais altos da energia costumam dar sustentação ao setor, pois aumentam a atratividade da produção de etanol pelas usinas de cana-de-açúcar, reduzindo a disponibilidade de matéria-prima destinada à fabricação do açúcar. Entretanto, ao longo da semana, fatores de curto prazo relacionados à maior oferta global da commodity passaram a exercer pressão negativa sobre as cotações, limitando os ganhos observados no início do período. No Brasil, o Centro-Sul (principal região produtora de açúcar do mundo) registrou forte avanço na produção ao longo de abril, o primeiro mês oficial da safra 2026/27. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção acumulada até 1º de maio de 2026 alcançou 2,475 milhões de toneladas, volume 55,24% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.
Na Índia, a safra 2025/26 (de outubro de 2025 a setembro de 2026) vem apresentando recuperação em relação ao ciclo anterior. Segundo a Federação Nacional de Fábricas Cooperativas de Açúcar da Índia, a produção acumulada até 31 de março de 2026 totalizou 27,12 milhões de toneladas, avanço de 9% na comparação com igual período da safra 2024/25. Por outro lado, os preços do petróleo perderam força ao longo da semana, chegando a ser negociados próximos de US$ 92,00 por barril. O movimento contribuiu para pressionar o mercado açucareiro, uma vez que a redução dos preços da energia tende a favorecer um aumento da produção de açúcar em detrimento do etanol, elevando a oferta da commodity no mercado. Na Bolsa de Nova York, o contrato Julho/26 está cotado a 14,14 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,57% nos últimos sete dias. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.
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