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Boa demanda da soja mantem bons níveis de preço.

08/06/2026 - 11h51m

Boa demanda da soja mantem bons níveis de preço. Charbel Felipe 

Preços da soja sustentados no mercado doméstico

A liquidez no mercado brasileiro de soja está elevada neste início de junho, influenciada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida por parte da indústria doméstica de processamento. Esse cenário limita quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos. Os números das exportações evidenciam a força da demanda pela soja brasileira. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 14,82 milhões de toneladas do grão em maio. Embora o volume tenha recuado 11,5% em relação a abril, houve crescimento de 5,1% em relação ao de maio de 2025. No acumulado de janeiro a maio, os embarques totalizaram 55,07 milhões de toneladas, configurando-se como o maior volume já registrado para esse período.

A receita gerada pelas exportações da oleaginosa alcançou US$ 22,88 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, ficando atrás apenas do recorde de 2023, quando somou US$ 26,54 bilhões. Naquele período, os preços de comercialização também eram maiores do que os atuais. A firme demanda externa também elevou os prêmios de exportação da soja no Brasil, incentivando negociações para embarques entre agosto e outubro deste ano, um movimento considerado atípico para esta época. Apesar da valorização dos prêmios e da alta do dólar frente ao Real, os Indicadores domésticos registram recuos. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,7%, cotado a R$ 130,02 por saca de 60 Kg.

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,5% nos últimos sete dias, a R$ 123,97 por saca de 60 Kg. O desempenho das vendas externas dos derivados também tem sido expressivo. As exportações brasileiras de farelo de soja atingiram 2,54 milhões de toneladas em maio, o maior volume desde maio de 2023. O resultado representa aumentos de 8,6% frente a abril e de 21,09% em relação a maio do ano passado. Entre janeiro e maio, os embarques do derivado somam 10,19 milhões de toneladas, um novo recorde para o período. No caso do óleo de soja, os embarques alcançaram 192,14 mil toneladas em maio. Embora tenham recuado 1,8% frente a abril, ficaram 35,7% acima dos registrados em maio de 2025. No acumulado de 2026, as exportações totalizam 890,17 mil toneladas, volume 45,2% superior ao observado no mesmo período do ano passado e o maior para os primeiros cinco meses do ano desde 2023.

No mercado físico brasileiro, os preços do farelo de soja registram pequena queda de 0,1% nos últimos sete dias. Apesar da firme demanda, o aumento do processamento tem ampliado a oferta do derivado, limitando os ganhos nas cotações. Quanto ao óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS), o avanço é de 3,6% nos últimos sete dias, a R$ 6.558,16 por tonelada. Com a queda dos preços da matéria-prima e a valorização dos derivados, a margem de esmagamento ("crush margin") segue em expansão. Considerando os preços praticados no estado de São Paulo, a rentabilidade da indústria tem alta de 8,2% nos últimos sete dias, alcançando R$ 488,86 por tonelada. Como consequência, o retorno sobre o custo da soja para a indústria passou de 23,3% para 25,4%. Na contramão da soja em grão e do farelo, os contratos futuros de óleo de soja registram recuo mais moderado no mercado internacional, sustentados pela forte demanda da indústria de biodiesel nos Estados Unidos.

Na Bolsa de Chicago, o contrato Jul/26 do óleo de soja apresenta desvalorização de 0,53% nos últimos sete dias, a US$ 1.681,89 por tonelada. O contrato de primeiro vencimento do farelo de soja tem recuo de 6,11% no mesmo período, a US$ 345,79 por tonelada. Os futuros da soja em grão registram queda de 5,44% nos últimos sete dias, a US$ 11,29 por bushel. O fortalecimento da demanda pelos derivados tem elevado a rentabilidade da indústria de esmagamento. Com base nos contratos futuros da soja, do farelo e do óleo negociados na CME Group, a margem de esmagamento tem avanço de 6,9% nos últimos sete dias, atingindo US$ 181,50 por tonelada. O principal fator de sustentação é a valorização do óleo de soja, que passou a responder por 54,4% da margem da indústria, participação recorde.

Os produtores brasileiros se preparam para o período de vazio sanitário da soja, medida fitossanitária destinada ao controle da ferrugem asiática. Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que a semeadura da safra 2026/27 alcançou 87% da área prevista até 31 de maio, avanço de 8% em apenas uma semana e acima da média de 80% observada nos últimos cinco anos. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicou que a colheita da soja atingiu 91,7% da área cultivada. Os trabalhos estão 11% à frente do registrado na safra anterior e 7,4% acima da média dos últimos cinco anos. Diante da boa produtividade, a estimativa da safra argentina segue mantida em 50,1 milhões de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.

 

 

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