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CHARBEL NEWS

Soja

Soja : Tendência de alta dos preços com maior demanda

10/09/2017 - 19h04

Com a entressafra da soja no Brasil, os preços tendem a ser mais firmes e "descolar "de Chicago, inclusive com menor oferta de oleo.

Uma Ótima semana !

Charbel Felipe

Tendência de alta dos preços com maior demanda

A tendência é de maior sustentação dos preços da soja no mercado brasileiro, com as exportações recordes no acumulado deste ano-safra, demanda interna aquecida e cotações futuras mais estáveis, com a entressafra no Brasil. Após fortes quedas em agosto, as cotações de soja têm registrado reações, sustentadas pela melhora na liquidez e pela firme demanda externa. A elevação nos prêmios brasileiros e nos contratos futuros da Bolsa de Chicago estimulou os produtores brasileiros a comercializar novos lotes. Por outro lado, apesar de no Paraná o vazio sanitário ter terminado no dia 10 de setembro, mais cedo que em anos anteriores, os produtores estão preocupados com o clima seco e com a ausência de previsões de chuvas no curto prazo, o que dificultaria o desenvolvimento do grão. Especialmente na região oeste do Paraná, os produtores estão finalizando as aplicações de herbicidas, recebendo as sementes e os adubos para o semeio da nova safra.

 

O adiantamento do vazio sanitário deste ano era a oportunidade para também avançar o plantio, que está ainda mais antecipado em relação a anos anteriores. Alguns se arriscaram e já semearam, mesmo em solo seco. A maioria, porém, espera pelo menos alguma previsão de chuva. Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, até o dia 20 deste mês, a probabilidade de chuva não passa de 5% na região oeste do Estado. Com o objetivo de fazer caixa para pagamento das dívidas de custeio de milho da 2ª safra de 2017 ou mesmo de insumos da safra de verão 2017/2018, os produtores estiveram mais dispostos a negociar nos últimos dias, enquanto demanda esteve aquecida. Porém, as negociações foram limitadas pela desvalorização do dólar frente ao Real. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1,5%, cotado a R$ 70,37 por saca de 60 Kg.

 

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra alta de 1,8% nos últimos sete dias, a R$ 64,96 por saca de 60 Kg. No acumulado deste mês de setembro, as cotações da oleaginosa registram alta de 1,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,5% no de lotes (negociações entre empresas). No mercado de farelo de soja, as negociações estão um pouco mais aquecidas, influenciadas pela maior procura por parte de suinocultores e avicultores. O farelo de soja registra alta de 1,3% nos últimos sete dias. As vendas de óleo de soja, por sua vez, estão em ritmo lento, por conta da maior disparidade entre os preços de compradores e vendedores. Este cenário se deve à forte retração por parte das indústrias em comercializar grandes lotes deste derivado. Os valores de óleo de soja apresentam avanço de 0,3% nos últimos sete dias, a R$ 2.731,60 por tonelada (posto em São Paulo com 12% de ICMS), a maior média diária desde 30 de janeiro desde ano.

 

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), embora o volume embarcado de soja tenha diminuído 14,4% entre julho e agosto, aumentou 56% frente ao mesmo período do ano passado, totalizando 5,95 milhões de toneladas em agosto. Esta é a maior quantidade exportada para um mês de agosto, considerando-se a série acompanhada pelo Cepea, desde 1996. Na parcial do ano (de janeiro a agosto), o Brasil enviou 56,89 milhões de toneladas de soja ao mercado internacional, volume já recorde quando comparado aos anos anteriores (de janeiro a dezembro). A receita obtida pelas vendas externas do grão em agosto foi 1,45% maior que a de julho, a R$ 71,01 por saca de 60 Kg, com dólar de R$ 3,15 na média do mês passado. Os embarques de farelo de soja estiveram mais aquecidos no último mês, totalizando 1,22 milhão de toneladas, 6,1% a mais que em julho e 12,2% acima do exportado em agosto/2016.

 

Entretanto, na parcial do ano (de janeiro a agosto), os embarques do farelo estão 9% menores que no mesmo período de 2016. A receita obtida com as vendas deste derivado foi de R$ 1.094,32 por tonelada, 1,8% menor que a de julho. O faturamento das vendas do óleo de soja também caiu, 2,8% entre julho e agosto, a R$ 2.295,99 por tonelada no mês passado. Para este derivado, as vendas têm ocorrido com mais intensidade no mercado interno, especialmente para a produção de biodiesel. Ainda assim, os embarques cresceram 6,3% entre julho e agosto, a 145,9 mil toneladas exportadas no último mês. Na parcial do ano, o País exportou 977,7 mil toneladas, 12% a mais que no mesmo período de 2016. Nos Estados Unidos, os contratos futuros foram impulsionados pelas expectativas de condições climáticas desfavoráveis às lavouras de soja nas próximas semanas. Caso o furacão Irma atinja as lavouras de soja, a produtividade pode recuar.

 

Por enquanto, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as condições boas e excelentes das lavouras seguem 61%, contra 73% no ano anterior. As lavouras em condições ruins e muito ruins ainda representam 11%, contra 7% no ano anterior. Do total das lavouras, 97% estão em floração, mesmo percentual da safra anterior, e pouco acima dos 96% registrados na média de 2012 a 2016. Além disso, 11% das lavouras já apresentam quedas de folhas, frente aos 6% na semana anterior e aos 12% na média dos últimos cinco anos. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Setembro/2017) da soja em grão registra forte alta de 2,6% nos últimos sete dias, a US$ 9,63 por bushel. Para o óleo de soja, o contrato de mesmo vencimento registra aumento de 1,1% no mesmo período, para US$ 773,37 por tonelada. O contrato Setembro/2017 do farelo de soja apresenta avanço de 2,8% nos últimos sete dias, a US$ 333,34 por tonelada. Fontes: Cepea e Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.